O senador Flávio Bolsonaro reagiu nesta sexta-feira (15) às críticas feitas pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e afirmou que o pré-candidato do Novo à Presidência da República foi “precipitado” ao comentar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio ampliou o desgaste interno no campo da direita e expôs divergências entre possíveis aliados para a disputa presidencial de 2026.
Na quarta-feira (13), uma reportagem do site Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens de texto em que Flávio Bolsonaro se refere a Vorcaro como “irmão” e solicita recursos para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, o banqueiro teria destinado R$ 61 milhões ao projeto articulado pelo senador.
A Polícia Federal apura se parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação ocorre em meio ao aumento da pressão sobre integrantes do núcleo político bolsonarista.
Após a divulgação do conteúdo, Romeu Zema criticou publicamente Flávio Bolsonaro e afirmou que a conduta do senador seria incompatível com o discurso adotado pela direita contra práticas associadas ao PT.
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, declarou o governador mineiro nas redes sociais.
Nesta sexta-feira, Flávio rebateu as declarações e afirmou que Zema se precipitou ao comentar o caso antes de conhecer todos os detalhes da relação com o banqueiro.
“Ele se precipitou. Ele me conhece, sabe que não tem nada de errado. Ele foi induzido a erro no afã de querer ser o primeiro a falar alguma coisa. Normalmente, o mineiro é uma pessoa que tem calma na hora de falar, não tem essa velocidade do Zema. Geralmente, é uma pessoa que pensa mais, raciocina e depois se posiciona”, afirmou o senador.
Flávio Bolsonaro também negou qualquer irregularidade envolvendo o financiamento do filme e disse que o contato com Daniel Vorcaro ocorreu em um contexto de busca por investidores privados para o projeto audiovisual.
“Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás, quando buscava investidor. Quando o Vorcaro era uma pessoa que circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava perto de autoridades. Uma pessoa que era cortejada por todo o país. Ele topou fazer um investimento privado e não tem nada além disso”, declarou.
Nos bastidores da direita, o episódio é visto como mais um fator de tensão entre grupos que disputam espaço no eleitorado conservador para 2026. Enquanto aliados de Jair Bolsonaro tentam minimizar o impacto político do caso, integrantes de outras siglas avaliam que a controvérsia pode desgastar o discurso anticorrupção adotado por setores da oposição ao governo federal.
