Em uma reunião com deputados, senadores e dirigentes do seu partido, na tarde de quarta-feira (25), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez acenos após brigas no clã, pediu por união da direita e chorou ao falar da prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O senador minimizou os atritos dele mesmo e do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). “A gente acaba às vezes querendo que as coisas aconteçam num tempo que não é o tempo que tem que acontecer ainda. Respeito todos, respeito muito a Michelle, respeito cada um que está aqui, e que está no seu tempo querendo entrar de corpo e alma”, disse.
“Não adianta querer me separar de Nikolas, de Michelle, de qualquer um. Essa é uma coisa que o Eduardo lá de fora está passando, está com as contas bloqueadas, as contas da mulher dele bloqueadas. Está batalhando pra conseguir sobreviver, e se sacrificou de verdade. Ele foi fundamental também pra que a minha candidatura acontecesse”, prosseguiu.
Flávio anunciou que protocolou uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para acabar com a reeleição no país — uma das propostas que ele tem defendido na pré-campanha. O texto tem o apoio de 14 parlamentares até agora, e são necessários 171 deputados ou 27 senadores para que a proposta seja protocolada.
“Protocolei uma PEC para confirmar aquilo que já havia dito, de que o presidente da República deve ser por apenas um mandato. Então faço um gesto público (…) para mostrar que isso não é um projeto pessoal, é um projeto de país. É a consciência de que o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT”, disse Flávio a jornalistas após a reunião.
A imprensa não teve autorização para acompanhar o encontro, mas congressistas relataram que a intenção de Flávio foi aparar arestas e engajar sua base para a campanha, ressaltando que está feliz com o resultado das pesquisas sobre a disputa contra Lula (PT).
Emocionado, Flávio falou sobre a visita que fez na quarta a seu pai, preso na unidade conhecida como Papudinha, e relatou a situação debilitada do ex-presidente. Disse ainda que Bolsonaro estará com ele no dia da sua posse, em janeiro de 2027 — caso seja eleito presidente.
O senador se sentou entre o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) teve uma desavença pública nos últimos dias. Como mostrou a Folha, a nova rodada de conflitos no clã envolveu também Carlos Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL).
Em sua fala aos parlamentares, Flávio mencionou as intrigas, dizendo que isso não vai ser capaz de distanciar seu grupo e que é preciso olhar para frente e derrotar o mesmo adversário. O senador teria afirmado ainda que nem palavras, nem circunstâncias e nem o passado iriam separar quem pensa igual.
Em resposta, Nikolas disse que era preciso união e trabalhar forte para eleger Flávio. O clima foi positivo, segundo os presentes.
“O que nos une é querer derrotar o PT, então estaremos juntos”, disse o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), para resumir a mensagem de Flávio.
Ao falar com jornalistas, o pré-candidato disse que não se tratava de “puxão de orelha nem cobrança de nada”. “Está todo mundo muito consciente do objetivo de resgatar nosso Brasil. Vim para agradecer o empenho de todo mundo e pedir a ajuda de todo mundo em qualquer situação em que possam levar nossas bandeiras e nossa verdade”, completou.
A ex-primeira-dama não compareceu, mas sua ausência foi justificada aos presentes — ela estaria visitando Bolsonaro no mesmo horário da reunião. Em atrito constante com os filhos de Bolsonaro, Michelle tem sido criticada por aliados de Flávio por não apoiá-lo na disputa eleitoral. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da revista Veja.
