O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, voltou a visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na manhã dessa quinta-feira (15), em Brasília. O encontro ocorreu pouco antes das 9h e foi o segundo desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a suspensão de 90 dias que impedia o parlamentar de visitar o ex-presidente. A retomada dos encontros ocorre em meio à campanha eleitoral e às restrições judiciais impostas a Jair Bolsonaro.
A primeira visita após o fim da proibição ocorreu na terça-feira (13), quando Flávio permaneceu aproximadamente 30 minutos com o pai. A suspensão havia sido determinada em julho pelo ministro Alexandre de Moraes, após o senador divulgar nas redes sociais uma carta de conteúdo político assinada por Jair Bolsonaro.
A publicação foi considerada descumprimento das medidas cautelares que proibiam o ex-presidente de se manifestar publicamente, inclusive por intermédio de terceiros. Na ocasião, a restrição às visitas de Flávio foi estabelecida por 90 dias.
Em decisão divulgada na segunda (12), Moraes autorizou a retomada dos encontros, após o término do prazo e diante da ausência de novos episódios que justificassem a prorrogação da suspensão. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também havia se manifestado favoravelmente à liberação das visitas.
Restrições
A autorização não permite que os encontros sejam utilizados para atividades de campanha ou para a divulgação de manifestações políticas em nome do ex-presidente. Ao restabelecer as visitas, Moraes manteve as condições de segurança e os horários anteriormente estabelecidos.
Na decisão, o ministro determinou que permanece “vedada a finalidade político-eleitoral e a divulgação de quaisquer manifestos ou declarações, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado”.
A determinação ganha relevância no contexto da candidatura de Flávio à Presidência, uma vez que declarações ou mensagens atribuídas ao pai podem repercutir diretamente no cenário eleitoral. O senador, portanto, pode visitar Jair Bolsonaro, mas deve respeitar os limites definidos pelo STF.
Prisão
O ex-presidente foi condenado pelo Supremo, em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A condenação incluiu os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
Em março de 2026, Bolsonaro obteve autorização para cumprir temporariamente a pena em prisão domiciliar humanitária, com o objetivo de se recuperar de problemas de saúde, incluindo um quadro de broncopneumonia. A medida foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes e permaneceu sujeita a condições específicas, entre elas restrições à comunicação pública e ao uso de redes sociais. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
