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Fora da agenda oficial, Alexandre de Moraes fez uma reunião com integrantes da Polícia Federal envolvidos nas apurações mais polêmicas

Alexandre de Moraes se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal e diretores da Divisão de Crime Organizado. (Foto: Victor Piemonte/STF)

É crescente entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) a desconfiança sobre os objetivos do ministro Alexandre de Moraes ao se reunir, nesta última semana, com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e os diretores da Divisão de Crime Organizado, Dennis Cali, e de Inteligência da corporação, Leandro Almada, e a informação, na sexta-feira (9), de que havia mais dois delegados presentes ampliou o mal-estar entre setores da Corte.

Participaram o chefe da Coordenação de Inquéritos Especiais (Cinq), Vitor Arruda, e o coordenador de Contrainteligência da corporação, Guilhermo Catramby, subordinados às diretorias. O fato aumentou o desconforto entre magistrados.

Por que Alexandre de Moraes fez uma reunião tão grande, sem incluir na agenda oficial, com os integrantes da PF envolvidos justamente nas apurações dos mais polêmicos casos da República no momento é a pergunta que não quer calar. Nem a PF nem o Supremo informaram o motivo do encontro.

Na quarta-feira (7), um dia após o encontro, Andrei Rodrigues arquivou o pedido de investigação de suposta ingerência dos Estados Unidos nas eleições do Brasil. A medida foi adotada para evitar a tese de que estaria sendo preparada uma “fraude judicial” e para acenar ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), segundo informações da Coluna do Estadão, jornal O Estado de S. Paulo. O tema, porém, pode ter sido cortina de fumaça, na visão de alguns interlocutores que transitam pelo STF.

O primeiro motivo para essa leitura é porque quem pediu a investigação sobre interferência externa no pleito foi o ministro Flávio Dino, e não Moraes. O segundo motivo é porque os delegados presentes na reunião comandam setores da PF responsáveis pelas investigações que levaram o Supremo Tribunal Federal à sua maior crise reputacional.

A Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor) cuida dos inquéritos dos casos Master e INSS. É nela que está a área de inquéritos especiais. Esse é justamente o setor que precisará entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, detalhes “sem exceção” sobre o envolvimento dos magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Integrantes do Supremo questionam se haveria alguma tentativa de “fazer um filtro”. O delegado Vitor Arruda é inclusive um dos que assinam o relatório apresentado pelo ministro André Mendonça, apontando a troca de 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Já a Diretoria de Inteligência Policial (DIP), que tem o braço da contrainteligência, cuidava dos casos que envolviam o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo inquérito das Fake News, milícias digitais, vacinas e os atos golpistas.

O inquérito das Fake News foi para as mãos de Fachin, que determinou um pente-fino no processo que reúne mais de uma centena de casos vinculados. O movimento é o primeiro passo para finalmente encaminhar o inquérito das fake news para seu encerramento. O sigilo dos autos ainda está mantido e sua derrubada deve explicitar os excessos cometidos por Moraes ao longo de mais de sete anos.

Foi após essa grande reunião de Moraes com a cúpula da Polícia Federal, inclusive, que o ministro Luiz Fux pediu à área técnica do STF acesso a investigações sob sigilo que estavam sob a relatoria de Alexandre de Moraes. Na sexta-feira, Fachin negou acesso imediato a Fux, disse que vai arquivar o inquérito das fake news “garantindo-se então a ampla publicidade de todos os atos e o acesso integral a que almeja o Ministro Luiz Fux”.

A decisão de Fux foi tomada em uma ação do Progressistas (PP), que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro. A ação chegou ao tribunal em 2024 e questiona a legalidade de investigações sobre a tentativa de golpe atribuída a Jair Bolsonaro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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