A Copa do Mundo bate à porta. Começa nesta quinta-feira (11). A Itália, pela terceira edição seguida, está fora. Mas os italianos fãs de esporte não ficarão a lamentar. Terão seu Mundial particular. Afinal, serão nada menos que quatro GPs de Fórmula 1 nesse período (Espanha, domingo que vem; Áustria, dia 28/6; Inglaterra, dia 5/7; e Bélgica, 19/7 — sim, no dia da final da Copa).
E, pela primeira vez em muitos anos (muitos mesmo), um italiano é a sensação da categoria: Andrea Kimi Antonelli, o “ragazzo” de 19 anos que, no GP de Mônaco do último domingo, chegou à sua quinta vitória seguida e está disparado na liderança do campeonato.
Mas, antes de falar da corrida, vamos dar a dimensão do que os feitos da joia da Mercedes significam para os italianos. A Itália respira automobilismo, é um dos países mais tradicionais da F1, berço da icônica Ferrari, e já teve 84 pilotos na categoria.
Antes de Antonelli, não via um piloto vencer desde Fisichella, na Malásia, em 19 de março de 2006 (bem antes da última participação do país em uma Copa). Antonelli sequer era nascido — veio ao mundo apenas cinco meses depois. Já a última vez que um italiano foi campeão foi em 1953, com Alberto Ascari. A F1, naquela época, engatinhava, tinha apenas quatro anos.
E, pelo que tem mostrado nas pistas, etapa após etapa, Antonelli tem tudo para encerrar esses jejuns. O que esse garoto fez em Mônaco foi assombroso. Uma vitória com uma autoridade que só talentos geracionais podem impor. Kimi fez o chamado Grand Chelem: pole, vitória liderando todas as voltas e melhor volta (levou até esporro do engenheiro no rádio por forçar mesmo com vantagem de sobra). Só cinco pilotos conseguiram isso em Mônaco: Senna, Schumacher, Fangio, Stewart e Hakkinen.
Mais: liderava com 42 segundos de vantagem sobre o segundo colocado Hamilton quando o Safety Car foi acionado, a 11 voltas do fim. E ainda mostrou tranquilidade de veterano para manter a ponta nas duas relargadas, uma delas parada, diante do heptacampeão.
Mais: chegou a dar UMA VOLTA em George Russell, tirada com a entrada do Safety Car. Levar uma volta do companheiro de equipe em meio a uma disputa de título é tipo levar um 7 a 1 numa semifinal de Copa, um duplo 6-0 numa final no tênis… Desmoralizante. Seu maior ídolo, Ayrton Senna, que tentou fazer o mesmo com Prost em 1988, deve estar orgulhoso.
Aliás, o duplex que Kimi alugou na cabeça de Russell ganhou mais um andar e virou um triplex. O inglês, após uma classificação apática e uma corrida discreta, ainda ficou fora dos pontos graças a um mole da equipe no cumprimento de uma punição no pit stop. A diferença entre os dois já é de 68 pontos (156 x 88). Russell nem vice-líder é mais. Foi ultrapassado por Hamilton.
A temporada é longa, faltam 16 etapas. Mas, após seis GPs, Kimi já colocou duas corridas (quase três) de vantagem na concorrência. Tudo leva a crer que, lá por novembro (quem sabe no GP do Brasil!), a F1 coroará seu mais jovem campeão mundial. Com méritos. (Agência Globo)
