O Rio Grande do Sul inicia 2026 debatendo um dos temas mais estratégicos para seu futuro: a modernização da malha rodoviária. O Fórum de Debates SETCERGS/FEDERASUL, que terá a participação confirmada do governador Eduardo Leite e do secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, abre espaço para discutir concessões que podem transformar a logística estadual pelos próximos 30 anos.
O peso das rodovias na economia gaúcha
Com mais de 150 mil quilômetros de estradas, o RS depende fortemente do modal rodoviário: cerca de 70% das cargas agrícolas e industriais circulam por rodovias, frente a apenas 20% por ferrovias e hidrovias. Essa dependência torna urgente a busca por soluções que garantam eficiência e segurança.
O modelo proposto
Os blocos de concessão 1 e 2 abrangem 863 km de rodovias e preveem R$ 12 bilhões em investimentos privados. O projeto inclui duplicações, terceiras faixas, revitalização da sinalização e pedágios eletrônicos (free flow), sem cancelas, para reduzir filas e custos operacionais. A modelagem foi elaborada com apoio do BNDES e segue experiências bem-sucedidas em estados como São Paulo e Paraná.
Oportunidades
- Modernização da infraestrutura: obras estruturantes podem reduzir gargalos históricos.
- Segurança viária: concessões em outros estados já mostraram queda nos índices de acidentes.
- Competitividade regional: previsibilidade e investimentos privados fortalecem cadeias produtivas.
- Estabilidade jurídica: contratos de longo prazo oferecem segurança a investidores e usuários.
Riscos
- Aceitação social dos pedágios: mesmo com tecnologia avançada, há resistência quanto ao custo adicional.
- Dependência do modal rodoviário: sem integração com ferrovias e hidrovias, gargalos podem persistir.
- Execução das obras: atrasos ou falhas podem comprometer a credibilidade do modelo.
- Desigualdade regional: áreas fora dos blocos podem ficar sem investimentos relevantes.
O papel do fórum
O diferencial do Fórum SETCERGS | FEDERASUL é a escuta ativa. No encontro de 4 de fevereiro, sociedade civil e setores produtivos poderão apresentar sugestões. Em 25 de fevereiro, o governo dará a devolutiva, indicando quais contribuições serão incorporadas. Essa dinâmica reforça a transparência e pode reduzir resistências.
Mais do que discutir pedágios ou obras, o fórum coloca em pauta o futuro da competitividade gaúcha. Se bem conduzido, o processo pode inaugurar uma nova fase de modernização e segurança nas estradas. Mas o sucesso dependerá da capacidade de o governo equilibrar interesses, garantir execução eficiente e ampliar a integração logística do Estado. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
