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França e Alemanha divergem sobre o papel dos Estados Unidos na segurança da Europa

Macron deu a declaração em uma entrevista para a revista Le Grand Continent. (Foto: Divulgação/Governo da França)

A França e a Alemanha externaram nesta semana posições contrárias sobre o papel dos Estado Unidos na segurança da Europa. Rejeitando a proposta do presidente francês, Emmanuel Macron, de uma estratégia independente para os países do bloco, a ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, disse nesta terça-feira que o continente não será capaz de prover sua própria segurança nas próximas décadas sem a ajuda americana e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Macron deu a declaração em uma entrevista para a revista Le Grand Continent na segunda-feira (16), dizendo que os Estados Unidos só respeitariam a Europa como aliados “se tivermos soberania em relação à nossa defesa”. O presidente também afirmou que os líderes da União Europeia não devem permitir que a derrota de Donald Trump os convença de que podem voltar a contar com os EUA para garantir a segurança europeia e defender os interesses do bloco.

“Os Estados Unidos só nos respeitarão como aliados se formos diligentes e soberanos com relação à nossa defesa. Precisamos continuar a construir nossa independência para nós mesmos”, disse Macron.

Como exemplos de vulnerabilidades da UE, o presidente francês apontou desenvolvimentos recentes nos serviços de computação em nuvem que poderiam deixar os dados europeus sujeitos à lei americana e as tensões em relação ao acordo nuclear com o Irã, do qual o governo Trump retirou os EUA. Por causa do status do dólar como moeda de reserva global e de sua dominância no sistema financeiro internacional, apontou o francês, as sanções americanas a Teerã acabaram impedindo as empresas europeias de fazer negócios com a República Islâmica.

Por sua vez, Kramp-Karrenbauer rebateu a proposta alegando que seria uma “ilusão” acreditar que o continente conseguirá garantir sua segurança sozinho:

“A ideia de uma autonomia estratégica para a Europa vai longe demais se alimentar a ilusão de que poderíamos garantir a segurança, estabilidade e prosperidade do continente sem a Otan e os EUA”, disse.

A ministra acrescentou ainda que a Europa levaria décadas para construir forças militares convencionais e nucleares para compensar a contribuição atual dos Estados Unidos e da Otan para a segurança do continente.

“A Alemanha e a Europa não podem se proteger sem o poder nuclear e convencional dos Estados Unidos. Isso é simplesmente um fato”, reforçou Kramp-Karrenbauer, que no entanto repetiu a promessa de Berlim de aumentar os gastos com defesa.

Segundo ela, os EUA fornecem 70% das capacidades militares cruciais, como vigilância, helicópteros, reabastecimento aéreo e comunicações por satélite na Otan. A ministra afirmou que Washington também é responsável por quase 100% das defesas antimísseis da organização e pela maior parte de sua dissuasão nuclear. Na Europa, o Reino Unido e a França também possuem arsenais nucleares.

As diferenças entre a Alemanha e a França, que não são novas, ressurgem antes de duas reuniões entre os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da União Europeia, marcadas para quinta e sexta-feira. A expectativa é que esses encontros se concentrem em como a UE pode demonstrar que está preparada para fazer mais por sua própria defesa.

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem criticado regularmente os países europeus por, segundo ele, gastarem pouco em defesa. Muitos, incluindo a Alemanha, não cumprem atualmente a meta da Otan de investir 2% do PIB na área.

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