Ícone do site Jornal O Sul

Funcionários de unidades de saúde de São Paulo denunciam a falta de material de proteção contra o coronavírus

MP abriu inquérito para investigar falta de equipamentos de proteção individuais. (Foto: Arquivo Pessoal)

Funcionários de unidades de saúde e de hospitais de São Paulo denunciaram à ouvidoria do sindicato dos trabalhadores da categoria a falta de materiais de proteção individual para os profissionais atuarem no enfrentamento à pandemia do coronavírus na capital paulista. A partir das denúncias, o Ministério Público abriu nesta segunda-feira (23) inquérito para investigar a falta de equipamentos de proteção individuais (EPIs).

Os pacientes com sintomas do Covid-19 que procuram atendimento na UBS Santo Estevão, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, por exemplo, vão encontrar auxiliares de enfermagem sem máscaras de proteção.

“A justificativa é que não tem máscara [para todo mundo] e que não precisa nesse estágio da propagação do vírus aqui em São Paulo”, contou ao portal G1 um funcionário que pediu para não ser identificado por medo de represália.

No Hospital Campo Limpo, na Zona Sul, os funcionários mostram prateleiras vazias de onde deveriam estar as luvas cirúrgicas no tamanho P e G e baixo estoque de álcool para fazerem o atendimento a pacientes.

No Hospital Dr. Carminio Carichio, no Tatuapé, Zona Leste, a prateleira destinada aos “kits para o atendimento contra o coronavírus” também está completamente vazia.

Em um dos andares do prédio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) não há sabonete nos banheiros para que os funcionários lavem as mãos.

No Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), na Penha, Zona Leste, as equipes relatam que as luvas vieram já manipuladas e que não é possível saber a procedência do material. Nas unidades do CRAS da Capela do Socorro, Zona Sul de São Paulo, e da Vila Nova Cachoerinha, Zona Norte, as luvas que receberam estão vencidas há dois anos. O lote é de 2013 com vencimento em 5 anos.

No inquérito, o Ministério Público quer saber, entre outras coisas, “como está sendo feito o acompanhamento da distribuição dos materiais e como está sendo apurada eventual falta de algum EPI, bem como se há algum canal específico para que os profissionais e unidades de saúde informem a necessidade de determinado material.”

A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que foi notificada pelo Ministério Público e está à disposição do órgão para qualquer esclarecimento.

Sair da versão mobile