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Futebol: nova queda do Valladolid faz de Ronaldo vilão na Espanha

Ronaldo não tem tido vida fácil no futebol desde que saiu de campo. (Foto: Reprodução)

Ronaldo não tem tido vida fácil no futebol desde que saiu de campo. Sua experiência como acionista do americano Fort Lauderdale Strikers foi frustrante. O time fechou as portas. Mas ele vestiu de vez a cartola ao comprar o Real Valladolid, da Espanha, e também o Cruzeiro. Recolocou o clube mineiro na Série A do Brasileiro, mas sofre para tentar equilibrar as contas, pois o rombo é grande. No clube espanhol, os resultados deixam a desejar e têm pressionado as finanças. E Ronaldo é apontado por parte da torcida como responsável pelo fracasso do time.

No início de junho, o Valladolid foi rebaixado no Campeonato Espanhol. Foi a segunda queda desde que Ronaldo se tornou sócio majoritário do time de Castilla y León em setembro de 2018 – atualmente, possui cerca de 73% das ações. A equipe havia caído no campeonato 2021-22, subiu na temporada seguinte, mas não conseguiu se manter.

O Valladolid se caracteriza por viver nessa gangorra. Nos últimos 20 anos, passou 11 anos na Primeira Divisão e nove na Segunda. Teve como melhor resultado um 13.º lugar na temporada 2019-20, já com Ronaldo no comando – sua melhor posição na história foi um quarto lugar em 1962-63.

Agora, vai tentar subir de novo. Para isso, Ronaldo apostou na contratação do técnico uruguaio Paulo Pezzolano, que terá missão semelhante à que assumiu, com sucesso, no Cruzeiro em 2022. Se isso ocorrer, o Fenômeno garante que estará à frente da comemoração: Recentemente, o site espanhol Relevo noticiou que ele teria interesse em se desfazer do Valladolid, o que o brasileiro negou em entrevista coletiva após a confirmação do descenso para a Segunda Divisão.

O gestor Ronaldo, no entanto, terá de superar dois grandes desafios: a impaciência, e a desconfiança, de boa parte da torcida e o dinheiro curto. As finanças estão melhores do que quando ele assumiu, mas ficam fragilizadas com seguidas perdas de jogos e temporadas fracassadas.

O novo rebaixamento colocou Ronaldo na mira dos torcedores. “A torcida tem ficado muito desiludida com Ronaldo. O Real Valladolid já era um clube instável antes e continua sendo com ele no comando, mas essa instabilidade ainda piorou: nunca antes em sua história havia subido à Primeira Divisão para ser rapidamente rebaixado na temporada seguinte, como aconteceu agora”, diz o jornalista do El Norte de Castilla Arturo Posada.

Ele dá mais detalhes sobre o pé atrás dos torcedores. “Ronaldo já quis profissionalizar a entidade, mas com ele no comando foram tomadas decisões muito polêmicas, como a mudança unilateral do escudo, que prejudicaram a imagem do presidente e dos dirigentes, que não são muito abertos para ouvir a voz dos fãs neste assunto ou para corrigir no momento”, afirma.

Financeiramente, o momento é desconfortável. De acordo com o Diário de Valladolid, o time precisou pedir empréstimo bancário de 10 milhões de euros, cerca de R$ 52 milhões. Na primeira metade da temporada 2022-23, o Valladolid fechou com déficit de 10,6 milhões de euros (R$ 55,1 milhões), por questões de fluxo de caixa, por não negociar jogadores e por receber direitos de televisão apenas no segundo semestre.

No mesmo balanço financeiro divulgado em dezembro de 2022, o Valladolid apresenta dívida de curto prazo de 1,3 milhão de euros (R$ 6,8 milhões) e de 25,7 milhões de euros (R$ 133,6 milhões) no longo prazo, valores bem inferiores aos do Cruzeiro, cuja dívida total é de R$ 1,052 bilhão.

Mesmo com o rebaixamento, a LaLiga repassará ao time, na próxima temporada, 10,3 milhões de euros (R$ 53,5 milhões), que servem como um paraquedas para ajudar o Valladolid no baque financeiro. A lógica é a mesma do descenso no futebol brasileiro. O time rebaixado terá menos visibilidade, valores de transmissão, cotas e dinheiro de bilheteria.

Portanto, o Valladolid deve reduzir seus gastos e focar em ampliar a receita de outras formas. Vender jogador é sempre uma opção, mas isso significa enfraquecer o elenco.

O próprio fair play financeiro rígido adotado pela Liga Espanhola faz com que a direção dos clubes trate as contas com rédeas curtas, não podendo fazer loucuras sem ter garantias de que arcará com aquele gasto ou investimento.

Entre modernização de escudo e quedas para a Segunda Divisão, há muitas críticas de torcedores à forma como Ronaldo conduz o Valladolid. Antes mesmo de o rebaixamento ser concretizado, o Fenômeno foi alvo de protestos na cidade.

Em janeiro, após o atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, ser alvo de racismo por parte de torcedores do time violeta, Ronaldo condenou os ataques, que chamou de “repugnantes e vergonhosos”. Dias mais tarde, faixas foram espalhadas pela cidade com críticas ao ex-camisa 9. “Ronaldo defende o Real. Madrid? Valladolid!”, dizia um dos cartazes. “Queridos reis magos: devolvam nosso escudo. Fora interesses alheios”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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