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Gaúchas de 34 municípios já contam no SUS com novo teste para diagnóstico precoce do câncer de colo do útero

Tecnologia identifica o HPV antes do surgimento de lesões. (Foto: Terdag Media)

O teste molecular DNA-HPV, que permite detectar precocemente infecções associadas a câncer de colo do útero, já está disponível por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) em 34 dos 497 municípios gaúchos. A tecnologia identifica a presença do vírus HPV antes do surgimento de lesões e reduz a ocorrência de amostras insatisfatórias, além de contribuir para agilizar a liberação dos resultados.

Em caso de resultado negativo, a novidade permite ampliar para cinco anos o intervalo até a próxima coleta. O teste molecular identifica a presença do papilomavírus humano (HPV), incluindo os tipos 16 e 18, associados a maior risco de desenvolvimento da doença, permitindo o acompanhamento adequado e o encaminhamento oportuno das pacientes para investigação e cuidado.

De acordo com o Ministério da Saúde, a implementação gradual já alcança 26 unidades Estados. A estratégia já contabiliza 153 mil amostras coletadas desde o ano passado. Desse total, 93 mil foram processadas (já passaram por análise laboratorial) desde janeiro e 9.904 apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco.

O exame preventivo Papanicolau permanece disponível e segue sendo uma ferramenta segura e eficaz de prevenção enquanto a nova tecnologia está sendo incorporada. Para apoiar estados e municípios nesse processo, o Ministério da Saúde conta ainda com as ações do programa Agora Tem Especialistas, que contribuem para aumentar a oferta de consultas, exames e procedimentos especializados necessários ao diagnóstico e acompanhamento das pacientes.

A coleta para o teste molecular é realizada por profissionais de saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em situações previstas pelo protocolo, também pode ser feita por autocoleta, após instrução de um profissional de saúde, ampliando as possibilidades de acesso das mulheres ao rastreamento.

Todas as unidades da federação, com exceção do Espírito Santo, já receberam os materiais necessários e já iniciaram a realização dos exames em pelo menos um município. No estado do ES, o início da estratégia depende da conclusão das etapas de organização local, com previsão de envio de materiais ainda este ano.

Os kits de coleta são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP/Fiocruz). O Ministério da Saúde também avalia outras tecnologias que atendam aos padrões de qualidade exigidos pelo SUS para garantir o avanço da estratégia.

Cidades contempladas no RS

Ajuricaba, Alecrim, Arroio do Padre, Augusto Pestana, Boa Vista do Buricá, Caibaté, Campina das Missões, Cândido Godói, Catuípe, Chiapetta, Condor, Dezesseis de Novembro, Fortaleza dos Valos, Ibirubá, Ijuí, Nova Candelária, Novo Machado, Pejuçara, Pelotas, Porto Lucena, Quinze de Novembro, Rolador, Salvador das Missões, Santa Rosa, Santo Ângelo, Santo Augusto, Santo Cristo, São Borja, São Martinho, São Miguel das Missões, Sede Nova, Sete de Setembro, Três de Maio e Tuparendi.

Capacitação profissional

A implantação do DNA-HPV vem sendo acompanhada por um processo de capacitação em parceria com estados e municípios. Treinamentos presenciais e online já foram realizados nas 27 unidades da Federação para preparar gestores e responsáveis por coordenar a implementação da estratégia nos territórios.

Esses profissionais atuam como multiplicadores, apoiando a qualificação das equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos demais serviços envolvidos no rastreamento. A preparação inclui não apenas o uso do novo protocolo e das orientações do INCA, mas também a reorganização dos fluxos de atendimento para garantir que as mulheres recebam acompanhamento adequado em todas as etapas do cuidado.

Vale destacar também que o Brasil superou a média mundial de cobertura vacinal contra o HPV entre meninas e meninos de 9 a 14 anos, alcançando 87% de cobertura entre as meninas e 74% entre os meninos, em 2025.

Sobre a doença

Conforme estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. Com o diagnóstico oportuno, as chances de cura são de 100%. A doença pode não apresentar sintomas no início. Mas alguns sinais merecem atenção e devem ser investigados por um profissional de saúde:

– Sangramento durante ou após a relação sexual;
– Sangramento entre as menstruações;
– Sangramento depois da menopausa;
– Dor durante a relação sexual;
– Corrimento vaginal com sangue e/ou mau cheiro.
– Nos casos mais avançados, pode ocorrer dor na região pélvica ou na parte baixa das costas, bem como cansaço intenso, problemas nos rins, inchaço e dor nas pernas.

(Marcello Campos)

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