As irmãs gêmeas Maria Ysadora e Maria Ysabelle, de 2 anos e meio, passaram seu primeiro Natal separadas ao lado da mãe, Débora de Freitas Santos. Nascidas unidas pela cabeça, elas passaram por cinco cirurgias neste ano no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). A última operação durou mais de 15 horas. O caso é único na história da medicina brasileira. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
A família das gêmeas, que é de Patacas, distrito de Aquiraz (CE), está em Ribeirão Preto desde fevereiro deste ano, mês em que ocorreu a primeira cirurgia. As meninas passam por reabilitação com fisioterapia e fonoaudiologia e têm a previsão de passar o Réveillon em sua cidade natal.
Cerca de 40 pessoas, entre neurocirurgiões, cirurgiões plásticos, anestesiologistas, intensivistas, pediatras e enfermeiros se envolveram na operação.
O valor de uma cirurgia como essa é calculado em US$ 2,5 milhões (R$ 9,8 milhões) na rede privada dos EUA.
Vaquinha virtual
Comprometidos no procedimento inédito no País de separação de gêmeas unidas pela cabeça, os 40 médicos do Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto, São Paulo, envolvidos no caso, organizaram uma “vaquinha virtual” para ajudar os pais das pacientes.
Naturais do Ceará, a mãe Débora de Freitas Santos e o pai Diego Freitas Faria foram acolhidos em um imóvel fornecido pelo Grupo de Apoio ao Transplantado de Medula Ósseo, dentro do campus da USP. Apesar de todo o tratamento ser custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a família não tinha condições financeiras de bancar com gastos gerais, como transporte, moradia e outras necessidades básicas.
A campanha pelas das meninas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 1 ano e 7 meses, visava receber doações materiais ou por transferências bancárias. Além de dinheiro foram arrecadados, além de alguns móveis e eletrodomésticos para a casa de apoio.
Etapas
O planejamento em etapas, uma das principais inovações que proporcionaram a cirurgia e atraíram a atenção de outros hospitais do País, foi cumprido desde fevereiro deste ano com o auxílio de tecnologias como moldes feitos com impressões tridimensionais e neurotransmissores que funcionam como um GPS. A equipe foi comandada pelo neurocirurgião Hélio Machado.
A primeira parte foi realizada no dia 17 de fevereiro, após sete horas de trabalho que consistiu na desconexão dos vasos sanguíneos da cabeça. A segunda cirurgia, em 19 de maio, teve duração de oito horas.
A terceira cirurgia ocorreu em 3 de agosto e se estendeu por oito horas. A quarta cirurgia aconteceu em 24 de agosto, quando os médicos implantaram expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que, na separação total de corpos houvesse tecido suficiente para cobrir os dois crânios.
A última cirurgia, inédita no Brasil, envolveu uma equipe multidisciplinar com 30 profissionais, incluindo quatro norte-americanos, entre eles o cirurgião James Goodrich, referência mundial no assunto e que acompanhou todas as etapas de separação das gêmeas.
