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George Clooney também se incomoda com falta de negros no Oscar

Clooney está em Sardenha para gravar a nova série “Catch-22”, baseada em um livro de Joseph Heller, que se passa na Segunda Guerra Mundial. (Foto: Divulgação)

A falta de diversidade entre os atores e atrizes indicados para a próxima cerimônia do oscar tem causado polêmica em Hollywood, onde nessa terça-feira (19) as vozes indignadas continuaram surgiram.

Pelo segundo ano consecutivo, nenhum artista nem diretor negro estará na disputa por uma estatueta dourada, e as redes sociais fervem com as hashtags #OscarsSoWhite (Oscar muito branco) e #OscarStillSoWhite (Oscar ainda muito branco).

Os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood deixaram de fora da corrida Will Smith (“Concussion”), Idris Elba (“Beasts Of No Nation”), Michael B. Jordan (“Creed”), além dos protagonistas de “Straight Outta Compton – A história do N.W.A.”.

A controvérsia atingiu o ápice quando a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, deu um passo adiante na noite de segunda-feira (18) para reconhecer sua decepção diante do panorama apresentado pela mais prestigiosa premiação do cinema mundial.

“Eu estou envergonhada e frustrada com a falta de diversidade”, disse Boone Isaacs em comunicado. “Este é um debate difícil, mas importante, e é hora de fazer grandes mudanças”, reconheceu. Ela já havia enviado nota ao Deadline na última semana em tom semelhante.

Desde que assumiu a presidência da Academia em 2013, Cheryl Boone Issacs estimula a diversidade, mas ela admitiu que “a mudança não chega tão rápido quanto desejamos”.

“Devemos fazer mais, melhor e mais rápido”.

Nos próximos dias, a organização vai revisar o processo de candidatura de novos membros “para conseguir a tão necessária diversidade”, prometeu a presidente.

A Academia é formada por 6 mil membros, entre os quais 94% são brancos e a maioria homens, enquanto os negros e os latinos representam cerca de 2%, segundo o jornal “Los Angeles Times”.

George Clooney, incomodado

A reação de Boone Isaacs foi fruto da mobilização inédita de estrelas de Hollywood, irritadas pela hegemonia de intérpretes brancos nas categorias principais.

George Clooney, vencedor de dois Oscar, foi um dos últimos a declarar que a indústria do entretenimento está caminhando “na direção errada”.
“Se olharmos dez anos atrás, a Academia fazia melhor”, disse Clooney nessa terça-feira (19) à revista “Variety”.

“Mas eu não acho que é um problema de quem escolhemos, mas um problema de oferta: qual é o espaço dado às minorias nos filmes, especialmente nos filmes de qualidade?” questionou.

“Os cidadãos norte-americanos têm razão quando dizem que a indústria não os representa bem”, agregou.

O cineasta Spike Lee protagonizou até agora a crítica mais contundente ao anunciar na segunda-feira (18) que irá boicotar a entrega de prêmios de 28 de fevereiro no teatro Dolby de Los Angeles. (AG)

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