A Verde Asset, casa do mais influente gestor do país, Luis Stuhlberger, acaba de soltar seu relatório mensal com palavras duras sobre o escândalo da Americanas. De acordo com a gestora do fundo Verde, trata-se da “maior fraude da história corporativa do Brasil”.
O principal veículo da casa ganhou 2,7% em janeiro investindo em commodities, no real e em juros globais, mas perdeu dinheiro com as debêntures (títulos de dívida) da Americanas.
“Passados vinte dias, o que podemos dizer? Fomos vítimas de uma fraude. Há quanto tempo que esta fraude existe, quem foram os principais responsáveis e beneficiários, é assunto que será amplamente discutido e explorado no Judiciário. A Verde, em conjunto com outros debenturistas, vai exercer seu dever fiduciário de preservar o melhor interesse dos cotistas”, diz a carta do Verde.
A gestora também se queixou do silêncio do trio de bilionários que são os principais acionistas da Americanas:
“Os três controladores da companhia, diante da escolha entre aportes para reparar um pedaço substancial da fraude, ou preservar sua reputação / legado, tem ficado silentes, mas claramente escolheram a opção financeira. A resposta da Verde a esse evento será mais trabalho, mais pesquisa, disciplina e foco.”
Nas palavras da Verde, “beira o inacreditável que, somente 23 dias após o fato relevante, alguém da companhia, seja na área financeira, seja na alta gestão, tenha sido afastado.”
“Temos a maior fraude da histórica corporativa do Brasil, um buraco de mais de vinte bilhões de reais, e a gestão financeira da companhia (com exceção da recém-empossada CFO) continuou sendo feita pelas mesmas pessoas durante todo o período seguinte.”
A gestora também está pessimista com a recuperação judicial da Americanas:
“Será um processo longo, ruidoso ao fim do qual os únicos ganhadores serão os (inúmeros) advogados envolvidos. Quanto mais tempo levar, menor a chance de alguma recuperação relevante para a companhia (e seus funcionários, fornecedores, credores e acionistas).”
Ao fim do relatório, a Verde cita frase de Warren Buffett, amigo e sócio de Jorge Paulo Lemann na Kraft Heinz:
“Leva vinte anos para se construir uma reputação e cinco minutos para arruiná-la. Se você pensar nisso, fará as coisas de maneira diferente.” As informações são do jornal O Globo.
