A confirmação de que o governo Trump, dos Estados Unidos, aplicará uma nova tarifa de 25% contra o Brasil repercutiu na imprensa internacional na quinta-feira (16), na qual diversos jornais destacaram a deterioração das relações diplomáticas entre os dois países a poucos meses das eleições presidenciais brasileiras.
Escritório do Representante Comercial dos EUA confirmou na madrugada de quinta (16) que aplicará uma nova tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, o que marcou um novo capítulo das tensões entre os governos Trump e Lula. A tarifa entra em vigor no dia 22 de julho.
Veja abaixo o que a imprensa internacional disse sobre o novo tarifaço do governo Trump contra o Brasil:
– O “Financial Times” afirmou que a medida “aprofundou as tensões bilaterais antes das próximas eleições no país sul-americano”;
– O “The New York Times” disse que a nova tarifa pode ter um impacto na disputa presidencial;
– O “The Guardian” deu destaque à resposta de Lula ao tarifaço e afirmou que “Trump transformou a autonomia [de um país] em delito comercial”;
– O “El País” chamou a medida de “golpe e punição comercial” e também destacou que ocorre “às vésperas da campanha eleitoral”;
– O “Le Monde” afirmou que as tarifas dos EUA são “uma questão política” no Brasil, também evocando a eleição;
– A “Bloomberg” afirmou que as tarifas “têm um risco alto para ambos os países”, incluindo “se tornarem um presente eleitoral” para Lula.
Financial Times, Reino Unido
O jornal britânico “Financial Times” afirmou que as tarifas dos EUA foram anunciadas diante de “uma crescente ruptura nas relações bilaterais” antes das próximas eleições no Brasil.
A reportagem destacou ainda que “o governo de esquerda do Brasil vê as queixas como motivadas por questões políticas, e não comerciais” em um momento em que Trump busca reafirmar a influência dos EUA na América Latina.
New York Times, Estados Unidos
O jornal norte-americano “The New York Times” também deu destaque ao impacto que a nova tarifa pode ter na disputa presidencial:
“É provável que a nova tarifa se torne uma questão política no Brasil antes das eleições presidenciais de outubro”, afirmou a reportagem.
The Guardian, Reino Unido
Já o britânico “The Guardian” deu destaque ao repúdio do governo Lula às novas tarifas e relembrou que os EUA têm um superávit —quando se arrecada mais do que se gasta— em sua relação comercial com o Brasil.
Em um editorial publicado nesta semana antes da decisão sobre as tarifas, o “The Guardian” afirmou que “Trump transformou a autonomia (de um país) em delito comercial”, e disse que o Brasil tenta proteger sua democracia com decisões contra as big techs norte-americanas, por exemplo.
El País, Espanha
O espanhol “El País” afirmou que “o novo golpe tarifário ocorre às portas da campanha eleitoral”.
“Esse novo aumento tarifário, que já era esperado, promete ser um elemento central na campanha das eleições brasileiras, que em outubro colocarão frente a frente Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e principal representante da direita. Há um ano, um movimento semelhante ajudou a impulsionar a popularidade do líder progressista”, afirmou o jornal espanhol.
Le Monde, França
O francês “Le Monde” também deu destaque às acusações de ilegalidade do governo brasileiro sobre as tarifas dos EUA, e afirmou que o aumento de impostos norte-americanos virou “uma questão política” no Brasil.
Bloomberg, Estados Unidos
A agência de notícias norte-americana Bloomberg afirmou que “os riscos das tarifas são altos para ambos os países”, e afirmou que é possível que a medida “se torne um presente eleitoral” para Lula.
“A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% ao Brasil reacendeu uma disputa comercial com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poucos meses antes das eleições presidenciais de outubro, podendo influenciar o resultado de uma corrida profundamente polarizada”, afirmou a agência.
“Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e uma das poucas grandes economias com as quais o país apresenta déficit comercial. O Brasil importou mais de US$ 45 bilhões em produtos americanos em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações caíram quase 7%, com o petróleo bruto representando 12,5% das exportações”, alertou a reportagem.
