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Google queimou quase US$ 6 bilhões em caixa no 2º trimestre, com disparada de gastos em IA

Big tech aumentou planos de gastos pela segunda vez no ano. (Foto: Kelsey McClellan/The New York Times)

O Google queimou caixa no segundo trimestre pela primeira vez em décadas, à medida que os gastos colossais em infraestrutura de inteligência artificial transformaram rapidamente o grupo de um negócio com poucos ativos em um intensivo em capital.

A empresa informou que o fluxo de caixa livre no período de três meses encerrado em junho ficou negativo em US$ 5,9 bilhões (R$ 29,8 bi), muito mais do que os analistas esperavam, após aumentar seus planos de gastos com data centers e outros equipamentos de IA pela segunda vez neste ano.

A diretora financeira Anat Ashkenazi disse que os investimentos de capital em 2026 serão de US$ 195 bilhões (R$ 986,2 bi) a US$ 205 bilhões (R$ 1 tri), acima da projeção anterior de US$ 180 bilhões (R$ 910,4 bi) a US$ 190 bilhões (R$ 961 bi). As ações caíram quase 3% nas negociações após o fechamento do mercado.

“Esperamos que o fluxo de caixa livre permaneça sob pressão devido aos nossos investimentos em infraestrutura técnica, que nos permitem capitalizar a oportunidade da IA e continuar a gerar retornos atrativos”, disse Ashkenazi.

O segundo aumento de capex do Google neste ano ocorre enquanto a empresa compete com as rivais Meta, Microsoft e Amazon para construir infraestrutura de IA, com as quatro empresas combinadas a caminho de gastar mais de US$ 725 bilhões em 2026.

Antes dos resultados desta quarta, o Google era visto como a mais bem posicionada para resistir à corrida armamentista da IA, com os fluxos de caixa de seu vasto negócio de buscas vistos como amortecedores da pressão financeira.

A queima de caixa e o aumento de US$ 15 bilhões no capex vão aumentar a ansiedade dos investidores. “Os mercados querem ver as hiperescaladoras pressionando para garantir a liderança em IA, mas não em um ritmo que destrua os lucros”, disse Dec Mullarkey, diretor-geral da gestora de ativos SLC Management, observando que a Alphabet estava acertando o equilíbrio.

O Google tem mantido a confiança dos investidores em parte porque seus gastos com IA se traduziram em vendas mais fortes. Sua unidade de nuvem reportou nesta quarta um crescimento de 82% em relação ao ano anterior, para US$ 24,8 bilhões (R$ 125,3 bi) no período. O negócio principal de publicidade em buscas cresceu 17% na comparação anual, para US$ 63,3 bilhões (R$ 320,1 bi), ligeiramente abaixo das expectativas.

As duas linhas de negócios ajudaram a impulsionar a receita total para US$ 120 bilhões (R$ 606,5 bi), ante US$ 96,4 bilhões (R$ 487,2 bi) um ano atrás, superando a estimativa média dos analistas de US$ 117 bilhões (R$ 591,3 bi), informou a Alphabet, dona do Google, nesta quarta-feira (22).

Sundar Pichai, CEO do Google, disse aos investidores: “Parece que estamos nos primeiros turnos do que parece ser uma mudança estrutural em múltiplas áreas… No último ano, ficamos mais otimistas com as oportunidades à frente”.

O Google elevou em abril sua previsão de gastos de capital para o ano para até US$ 190 bilhões (R$ 960,3 bi) e disse que o valor subiria ainda mais em 2027. O grupo informou que o capex do segundo trimestre subiu para US$ 44,9 bilhões (R$ 226,9 bi), o que tornou seu fluxo de caixa livre negativo.

A métrica de fluxo de caixa livre é acompanhada de perto como uma medida do caixa que as empresas têm disponível para pagar dívidas ou retornar aos acionistas após cobrir seus custos operacionais e gastos de capital.

O lucro líquido quadruplicou para US$ 112 bilhões (R$ 566 bi), superando as expectativas dos analistas de US$ 35,6 bilhões (R$ 180 bi), segundo dados da Visible Alpha. O resultado foi beneficiado por ganhos nos investimentos do Google, que incluem participação na SpaceX. O lucro operacional, que não inclui ganhos com investimentos, subiu 30% para US$ 40,8 bilhões (R$ 206,2 bi), com a margem operacional expandindo para 34%.

O Google ganhou terreno na corrida da IA graças a uma estratégia “full-stack”, que combina seus próprios chips, data centers, modelos de fronteira e produtos para consumidores. A empresa está sob pressão para lançar seu mais recente modelo principal, enquanto OpenAI, Anthropic e concorrentes na China anunciam avanços técnicos.

Pichai disse que agora está concentrando esforços e poder computacional no treinamento do Gemini 4, seu próximo modelo de fronteira, e afirmou que o ritmo de lançamentos de modelos do Google vai acelerar.

À medida que os gastos com IA aumentam, a Alphabet assumiu quase US$ 100 bilhões (R$ 505,9 bi) em dívidas e em junho buscou levantar cerca de US$ 85 bilhões (R$ 429,6 bi) em sua primeira venda de ações em mais de duas décadas — uma reversão acentuada após anos recomprando suas próprias ações.

Os gastos visam atender a uma carteira crescente de contratos de nuvem que subiu para US$ 514 bilhões (R$ 2,5 tri) no final do trimestre, ante cerca de US$ 460 bilhões (R$ 2,3 tri) no trimestre anterior. O lucro operacional da divisão de nuvem mais que triplicou, para US$ 8,8 bilhões (R$ 44,5 bi). (Com informações da Folha de S.Paulo)

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