O governador da região italiana do Piemonte, Alberto Cirio, foi infectado pelo coronavírus, segundo informações divulgadas pela emissora estatal RAI neste domingo (8). Ele é o segundo líder regional do país a adoecer, em apenas 24 horas. O anúncio foi feito após a Itália determinar que até 16 milhões de pessoas fiquem em quarentena, enquanto o governo busca estratégias para conter a disseminação do coronavírus.
Qualquer pessoa que viva na Lombardia e em 14 outras províncias do Centro e do Norte precisará de permissão especial para viajar. A medida inclui Milão e Veneza. O país também anunciou que foram registradas 133 novas mortes nas últimas 24 horas, totalizando 366 óbitos. Já o número de casos confirmados passou de 5.883 para 7.375.
A Lombardia continua sendo a região mais atingida pela doença, com 4.189 casos e 267 vítimas fatais. Já Piemonte, cuja capital é Turim, no Norte, é a quarta região mais atingida pelo surto, que começou no mês passado. No sábado, o governador de Lazio e líder do Partido Democrático, Nicola Zingaretti, já havia sido diagnosticado com a doença.
Também neste domingo, o papa Francisco fez a sua primeira oração dominical do Angelus transmitida por streaming, direto da biblioteca do palácio apostólico. Na ocasião, ele manifestou “proximidade” pelos portadores de coronavírus, após uma breve aparição na janela, de onde deu sua bênção. Durante a reza do último domingo, Francisco, de 83 anos, teve que parar duas vezes devido a acessos de tosse. Ele, no entanto, foi testado negativo para Covid-19.
Enquanto isso, o primeiro-ministro Giuseppe Conte também anunciou o fechamento de escolas, academias, museus, boates e outros locais em todo a Itália. As medidas adotadas são as mais radicais fora da China e, a princípio, vão durar até o próximo dia 3.
A Itália tem o maior número de casos de coronavírus na Europa e relatou um aumento acentuado de infecções no sábado. As determinações de quarentena afetam um quarto da população e concentram-se na parte norte do país.
“Queremos garantir a saúde de nossos cidadãos. Entendemos que essas medidas vão impor sacrifícios, às vezes pequenos e às vezes muito grandes”, disse Conte no início do domingo.
Coronavírus: O que se sabe?
A epidemia italiana também já causou graves impactos em uma das economias mais frágeis do Europa. A região da Lombardia é responsável por um quinto do PIB do país.
Segundo a imprensa local, também haverá vetos a casamentos, funerais, eventos culturais e esportivos. Bares que não impuserem regras para que seus consumidores mantenham distância uns dos outros também seriam penalizados.
As infecções na Itália praticamente dobraram nesta semana: na quarta-feira, eram 2,5 mil. Neste sábado, segundo a Organização Mundial da Saúde e o governo italiano, pularam para 5.883. As mortes passaram de 36 para 233.
A vizinha França tornou-se também um dos maiores centros da epidemia na Europa: neste sábado, mais duas mortes, ambas no Norte da França, e 103 casos foram registrados. Agora, o país tem um total de 949 pessoas infectadas, incluindo um integrante do Parlamento francês.
Ao lado da Alemanha e de outros países, a França impôs limites à exportação de equipamentos médicos de proteção — alguns dos quais são altamente necessários, mas com estoques baixos.
Na Espanha, há cerca de 470 pessoas com o vírus e o número de mortes, neste sábado, chegou a 10. A prefeitura de Barcelona cancelou uma maratona marcada para o dia 15 de março, mas um grande protesto marcado para domingo em Madri, em razão do Dia Internacional da Mulher, deverá ser mantido.
A menor nação europeia, Malta, anunciou seu primeiro caso confirmado neste sábado: uma menina de 12 anos que recentemente retornou de férias do Norte da Itália.
Temor internacional
O primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, pediu neste domingo ao governo italiano que proíba seus cidadãos de viajarem para o exterior, de modo a conter a propagação do novo coronavírus. A República Tcheca registra, até o momento, 26 casos de contágio, a maioria ligada à Itália, e mantém 1.100 pessoas em quarentena.
“Acho que é importante que o primeiro-ministro Giuseppe Conte peça a todos os italianos que não deixem a Itália”, declarou Babis a uma emissora de televisão local.
