O governo argentino indicou nesta terça-feira (27) que não parabenizará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua vitória nas eleições, segundo noticiou a imprensa argentina.
Segundo o jornal “Clarín”, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, declarou que o governo argentino tomou conhecimento do resultado eleitoral, mas não pretende divulgar nenhum comunicado oficial, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores.
O porta-voz alegou que Lula não parabenizou Milei, quando o argentino foi eleito em 2023: “Não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo [Milei] pessoalmente, nem nada do tipo. Por enquanto, não há nenhum comunicado que pretendamos divulgar”. A declaração foi dada durante uma coletiva à imprensa argentina.
Em um publicação no X em 19 de novembro de 2023, Lula comentou o resultado da eleição, mas sem mencionar Milei diretamente. “Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, postou Lula na época.
Milei é o único líder da América do Sul que não parabenizou Lula
Javier Milei foi o único líder da América do Sul que não parabenizou Lula pela vitória. Os demais líderes da região, muitos deles representantes da direita, reconheceram o resultado e felicitaram o presidente brasileiro reeleito.
Os dois países mantêm uma das relações comerciais mais importantes da América do Sul, com forte integração industrial e participação central no Mercosul.
Em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas, com mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, e também sua maior origem de importações, com US$ 18,4 bilhões em produtos comprados, segundo dados do governo argentino. A demora na comunicação se soma à lista de desavenças, desgastes e trocas de ataques mútuos entre os dois líderes.
O líder colombiano Abelardo de La Espriella, que foi eleito com apoio do presidente americano Donald Trump e deu apoio público à campanha derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), declarou que não têm afinidade e são de lados opostos do espectro político. Em sua fala de reconhecimento do resultado, entretanto, estendeu a mão para que os países continuem cooperando.
Já o equatoriano Daniel Noboa afirmou que a América Latina tem inimigos em comum e desafios compartilhados em sua mensagem de parabenização. O chileno José Antonio Kast disse que ligou para cumprimentar Lula e afirmou que os dois países têm um futuro em comum.
A líder peruana Keiko Fujimori defendeu o fortalecimento da aliança estratégica entre os dois países, com ênfase na integração, na cooperação e no desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada. Rodrigo Paz, presidente boliviano, por sua vez, parabenizou o brasileiro e destacou os laços históricos entre Bolívia e Brasil.
