O Palácio do Planalto demitiu o servidor que fez campanha virtual para o presidente pressionar Jair Bolsonaro a não despedir o secretário de Comunicação Floriano Amorim. A exoneração de Luiz Cláudio Reis de Oliveira foi publicada na sexta-feira em edição extra do Diário Oficial da União. A demissão retroage para segunda-feira. As informações são da coluna de Guilherme Amado, da revista Época, e do jornal O Estado de S. Paulo.
Oliveira, que ficou três semanas na Secretaria de Comunicação, fez a campanha #FicaFloriano nas redes sociais. O militante também divulgou o número de telefone do gabinete da Secretaria de Governo, responsável pela Secom, pedindo que ativistas telefonassem e manifestassem apoio a Amorim.
O servidor do Palácio do Planalto Luiz Cláudio Reis de Oliveira, lotado há três semanas na Secretaria de Comunicação, criou uma campanha virtual, em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, para pressionar Jair Bolsonaro a não demitir o secretário de Comunicação Floriano Amorim. A campanha é resumida por #FicaFloriano.
O Planalto havia decidido na semana passada afastar Amorim, pela baixa performance, e colocar no lugar dele o empresário paulista Fábio Wajgarten.
Coordenador da chefia de gabinete da Secom, Reis de Oliveira negou que tenha criado a campanha ou mesmo que tivesse participado dela, mas tanto suas redes sociais quanto mensagens que ele enviou em grupos de WhatsApp mostram o contrário. Até a reprodução de mensagens enviadas para um contato intitulado “Jair Bolsonaro Celular Novo” foi enviada por Reis de Oliveira em um dos grupos de WhatsApp de que participa.
“Trair um amigo é a a pior das traições”, dizia uma das mensagens. “Querem tirar de perto do senhor seus amigos, seus escudos. Não caia nessa armadilha, presidente. Nós apoiamos Floriano, como pessoa e como profissional”, dizia outra.
Em outra mensagem, escrita pelo próprio Reis de Oliveira, há o número de telefone da Secretaria de Governo, responsável pela Secom, pedindo que ativistas telefonem e manifestem seu apoio a Amorim, responsável por “fechar as torneiras da mídia”. O ministro Alberto dos Santos Cruz afirmou não ter conhecimento da campanha.
Novo chefe
Bolsonaro confirmou na sexta-feira, em café da manhã com jornalistas, que o novo chefe da Secom será Fábio Wajngarten. Floriano Amorim acompanhava Bolsonaro desde os tempos em que ele era deputado.
Na prática, o presidente decidiu trocar a chefia da Secom ainda no mês passado, após enfrentar queda nas pesquisas de popularidade e diante de vários ruídos de comunicação no governo. Com influência nas mídias digitais, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, também passou a criticar o trabalho da Secom, que tem orçamento de R$ 150 milhões para este ano. Carlos apoiou a indicação de Wajngarten, também avalizada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo escritor Olavo de Carvalho.
O jornal O Estado de S. Paulo apurou que, com a escolha de Wajngarten, o governo pretende mudar totalmente a estratégia de comunicação. A ideia do Planalto é investir mais recursos na campanha publicitária de TV pela reforma da Previdência e se aproximar da mídia tradicional, que Bolsonaro critica desde a campanha.
