O Ministério das Comunicações anunciou na última quinta-feira (25) o início da operação da rede privativa de comunicação da administração pública federal, criada para garantir uma infraestrutura segura para órgãos do governo, independente das redes comerciais de telecomunicações. O projeto, segundo a pasta, prevê investimento total de R$ 1 bilhão.
A rede, cuja criação estava prevista no edital do leilão do 5G, foi concebida para atender exclusivamente órgãos governamentais, com maior controle sobre o tráfego de informações e proteção para comunicações sensíveis. Diferentemente das redes comerciais, a infraestrutura foi desenvolvida para transportar comunicações estratégicas da administração pública em ambiente próprio e com maior nível de segurança.
O projeto conta com duas modalidades: a rede privativa fixa, baseada em fibra óptica para interligar prédios e unidades administrativas, e a rede privativa móvel, voltada a comunicações em campo e operações institucionais.
O anúncio marca o início da integração das comunicações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), do Exército, da Polícia da Câmara dos Deputados e da Polícia do Senado em uma mesma infraestrutura de comunicação.
Até então, cada uma dessas instituições operava sistemas próprios e não interoperáveis. Com a rede privativa, as corporações passam a compartilhar comunicações em um ambiente comum, o que deve ampliar a coordenação de operações e a capacidade de resposta em situações que exigem atuação conjunta.
Segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, a iniciativa busca superar dificuldades históricas de integração entre diferentes forças de segurança. Ele citou os atos de 8 de janeiro de 2023 como exemplo de situação em que um sistema unificado de comunicações poderia facilitar a coordenação entre os órgãos envolvidos.
“Temos alguns eventos que ocorreram no passado que precisavam disso. Cito, de forma significativa, o 8 de janeiro, quando as forças precisavam trabalhar de forma integrada e necessitavam de um sistema como esse que teremos agora”, afirmou.
Questionado, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira afirmou que a tecnologia será escalada a partir da adesão dos demais Estados. “A infraestrutura que está sendo entregue hoje é preparatória para integrar os demais Estados. Alguns já demonstraram interesse, mas vamos entrar nos projetos pilotos para dar continuidade a esse processo de contratação”, esclareceu.
Rede fixa
O governo também iniciou a operação da rede privativa fixa, que tem como objetivo fornecer infraestrutura exclusiva de comunicação para órgãos da administração pública federal. Segundo o secretário, a rede garante independência tecnológica em relação às redes comerciais, com criptografia ponta a ponta e cobertura nacional.
O primeiro cliente firmado foi a Agência Nacional de Mineração (ANM), em Aracaju, no Sergipe. A primeira etapa do projeto contempla a interligação de 12 prédios públicos por meio de uma infraestrutura dedicada de 75,5 quilômetros de fibra óptica.
Entre os órgãos que passarão a utilizar a rede estão o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A expectativa do governo é expandir gradualmente a rede para outros Estados. As próximas ativações estão previstas para alcançar Macapá (AP), Rio Branco (AC), Goiânia (GO) e Vitória (ES). As informações são do jornal Valor Econômico.
