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Governo Trump acusa a Universidade de Harvard de violar lei de direitos civis ao não combater antissemitismo no campus

A Universidade de Harvard contestou veementemente a avaliação do governo, afirmando em nota que o antissemitismo é “um problema sério”. (Foto: Kris Snibbe/Harvard)

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nessa segunda-feira (30) que a Universidade de Harvard violou a lei federal de direitos civis ao não responder adequadamente a casos de assédio contra estudantes judeus em seu campus – aumentando a pressão sobre a tradicional instituição da Ivy League enquanto ela negocia um possível acordo com a Casa Branca.

Em uma carta enviada ao reitor interino de Harvard, Alan Garber, nessa segunda, autoridades de quatro agências federais afirmaram que a universidade está “em flagrante violação do Título VI”, um trecho da legislação federal que proíbe discriminação com base em raça, cor ou origem nacional. Nos últimos anos, autoridades passaram a interpretar o Título VI como incluindo também “ancestralidade comum e características étnicas” como protegidas pela lei.

Segundo representantes do governo Trump, o “comprometimento de Harvard com hierarquias raciais” teria “permitido que o antissemitismo florescesse” na universidade mais antiga e rica do país. Eles alertaram que não implementar “mudanças adequadas de imediato resultará na perda de todos os recursos financeiros federais e afetará permanentemente a relação da universidade com o governo.”

Harvard contestou veementemente a avaliação do governo, afirmando em nota que o antissemitismo é “um problema sério” que a universidade tem enfrentado com medidas concretas. Acrescentou ainda que “está longe de ser indiferente” ao tema e que “discorda fortemente das conclusões do governo.”

A carta representa apenas o capítulo mais recente na ofensiva do governo Trump para transformar Harvard, enquanto a universidade tenta manter acesso a bilhões de dólares em recursos federais para pesquisa. Embora ambas as partes tenham retomado recentemente negociações sobre um possível acordo, a disputa, que já dura meses, tem sido marcada por litígios, declarações públicas ácidas e embates profundos sobre o papel do governo na educação superior.

A troca de acusações também se insere em um debate prolongado – que antecede o retorno de Trump à Casa Branca – sobre as experiências de estudantes judeus em Harvard, especialmente após o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023 e o início da guerra em Gaza.

Embora Harvard não tenha sido o palco dos maiores protestos nem das medidas mais duras contra manifestações, a cultura no campus passou a ser intensamente examinada. Em um relatório divulgado em abril, um grupo de trabalho da própria universidade descreveu “um ambiente alienante e hostil que muitos estudantes judeus e israelenses disseram ter vivido, particularmente no ano letivo de 2023–2024.” Em nota, o Garber declarou que Harvard “não pode e não vai tolerar o preconceito.”

Mas Paula Stannard, diretora do Escritório de Direitos Civis do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, disse em carta separada nesta segunda-feira que as medidas adotadas por Harvard, como a criação de um painel docente para investigar e punir envolvidos em certas acusações de má conduta, foram “tardias e insuficientes.”

“Estudantes judeus e israelenses da Universidade Harvard foram vítimas de assédio grave, sistemático e objetivamente ofensivo de 7 de outubro de 2023 até o presente momento”, afirma Stannard.

O The Wall Street Journal foi o primeiro a divulgar as descobertas do governo nessa segunda-feira.

Stannard acrescentou que, “na ausência de cooperação voluntária” por parte de Harvard, as descobertas seriam encaminhados ao Departamento de Justiça – o que pode ameaçar ainda mais o fluxo de verbas federais para a universidade. A líder da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, Harmeet Dhillon, foi uma das quatro autoridades federais que assinaram a carta enviada ao reitor.

A universidade já teve bilhões de dólares bloqueados, afetando sua reputação e posição financeira. O estrangulamento fiscal faz parte de uma ofensiva ampla do governo Trump, que inclui diversas investigações e esforços reiterados para barrar a matrícula de estudantes estrangeiros em Harvard.

Apesar de ter adotado um tom de confiança e resistência pública, tratando a recusa a demandas consideradas intrusivas como essencial para proteger a liberdade acadêmica nos EUA, dirigentes da universidade demonstram preocupação com o impacto de um embate prolongado com o governo. Alguns concluíram que, mesmo que saísse vitoriosa na Justiça, Harvard não estaria protegida da hostilidade do governo Trump e das ferramentas que ela pode usar para prejudicar a instituição.

Recentemente, a universidade retomou conversas com o governo – que perdeu uma série de batalhas judiciais preliminares relacionadas ao caso – sobre um possível acordo. As negociações, no entanto, são arriscadas para Harvard, que reluta em ceder ou parecer que está cedendo à Casa Branca.

A universidade não divulgou publicamente os termos em discussão. No entanto, Trump afirmou em suas redes sociais em 20 de junho que “se o acordo for feito com base no que está sendo discutido, será ‘absolutamente’ histórico, e muito bom para o nosso país”. Ele acrescentou que os dirigentes de Harvard “têm agido de forma extremamente apropriada nessas negociações e parecem comprometidos a fazer o que é certo”. As informações são do jornal The New York Times.

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