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Em negociações do tarifaço, governo Trump exigiu do Brasil compra de aviões da Boeing para voos comerciais

Exigência fazia parte das 21 demandas da primeira proposta de acordo após sobretaxa de 50%. (Foto: Reprodução)

O governo de Donald Trump incluiu na proposta original de acordo com o Brasil, após o tarifaço de 50% imposto ao País em 2025, um compromisso de compra de aeronaves comerciais fabricadas nos Estados Unidos pela Boeing.

Embora a negociação envolvesse o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o acordo proposto pelos Estados Unidos em outubro de 2025 previa uma operação entre empresas privadas, com a aquisição de aviões pelas companhias aéreas brasileiras.

“Companhias aéreas brasileiras comprometeram-se a adquirir aeronaves comerciais fabricadas nos EUA, incluindo anúncios de intenção de comprar (xx) aeronaves Boeing”, afirma o rascunho do comunicado conjunto entre Brasil e Estados Unidos, apresentado pelo governo americano e discutido por diplomatas e autoridades comerciais dos dois países.

A quantidade exata de aeronaves seria definida durante as negociações. Por isso, o rascunho mantinha a indicação “xx” entre colchetes no documento chamado “Declaração Conjunta sobre as Relações de Segurança e Econômicas entre os EUA e o Brasil”.

Entre as três principais companhias aéreas brasileiras, Gol e Latam operam atualmente aeronaves da fabricante americana. A frota da Gol é formada majoritariamente por modelos da família Boeing 737. A Latam utiliza aeronaves das famílias 767, 777 e 787 em rotas internacionais, enquanto sua operação doméstica é baseada em aviões da Airbus.

Recentemente, Gol e Latam anunciaram encomendas de jatos da Embraer, fabricante brasileira, em operações celebradas pelo governo Lula. A Azul informou que não possui aeronaves Boeing em sua frota. A Gol não comentou o caso.

Em abril de 2025, ao final de seu processo de reestruturação financeira, a Gol informou ter 91 pedidos firmes de novas aeronaves Boeing 737 MAX. A Latam disse ter recebido dois Boeing 787-9 Dreamliner no primeiro semestre e que deveria receber outras unidades até o fim daquele ano.

Segundo integrantes do Itamaraty que participaram das discussões, o chanceler Mauro Vieira descartou imediatamente os termos apresentados e determinou que seus assessores informassem aos representantes americanos que aquelas condições não deveriam ser levadas à mesa de negociações.

A proposta também incluía demandas comerciais, como a abertura de setores industriais e condições para a exploração de minerais críticos. Na área política, previa que o Brasil se comprometesse com “eleições livres e justas em 2026” e não detivesse, prendesse ou limitasse arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral.

Um documento interno do governo brasileiro, também obtido pelo Estadão, registra discussões sobre um compromisso de compra de aeronaves americanas e sugere a adoção de uma “meta de compras brasileiras” dos Estados Unidos. O texto projetava a encomenda de 90 aviões.

Em 9 de janeiro de 2026, uma nova proposta de acordo de curto prazo apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) previa, no setor aeroespacial, que o governo brasileiro deveria “remover todas as barreiras tarifárias e não tarifárias à venda de jatos executivos dos EUA no Brasil”.

O documento listava o setor Aeroespacial entre os “itens prioritários para um acordo de curto prazo” nas “Discussões EUA-Brasil sobre Comércio Recíproco”.

Em carta enviada ao chanceler Mauro Vieira, o chefe do USTR, Jamieson Greer, afirmou: “Estou desapontado por não termos avançado mais, apesar de nossas numerosas interações”. Greer citou tarifas brasileiras sobre etanol e outros produtos, além de barreiras não tarifárias e medidas relacionadas ao comércio digital.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço imposto por Trump a centenas de países, incluindo o Brasil. Em julho, o presidente americano anunciou uma nova rodada de sobretaxas sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro tenta negociar com os Estados Unidos, e uma nova conversa entre os dois países está prevista para o fim de setembro, durante reunião do G-20. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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