Ícone do site Jornal O Sul

Os Estados Unidos negam plano para impedir a reeleição de Lula

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou ter um plano para impedir a reeleição do presidente Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou ao g1 nessa quinta-feira (13) ter um plano para impedir a reeleição do presidente Lula, e afirmou que respeitará “qualquer governo” que for eleito em outubro.

Segundo o blog do jornalista Valdo Cruz, a equipe de Lula acredita que o secretário Marco Rubio quer evitar a reeleição do presidente brasileiro. Questionado pelo g1 sobre o tema, uma fonte do órgão norte-americano afirmou que a avaliação do Planalto não corresponde à realidade.

“Damos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que eles escolham livremente, por meio de eleições livres e justas no Brasil. E nós (EUA) temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”, afirmou a autoridade, sem mencionar explicitamente o nome de Rubio.

Apesar da negativa, a menção a “eleições livres e justas” já foi usada em declarações anteriores do governo Trump para questionar pleitos em outros países. O sistema eleitoral brasileiro, por sua vez, é comprovadamente livre e as urnas eletrônicas são seguras, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo assessores de Lula, a sensação de que Rubio teria um plano dessa natureza foi reforçada após o governo Trump divulgar um vídeo dizendo que o domínio dos EUA em toda a América “nunca mais será questionado”.

O Brasil e os Estados Unidos enfrentam uma fase de crise diplomática em meio à aproximação das eleições presidenciais, marcadas para o primeiro e terceiro finais de semana de outubro. Entre os fatores que estremeceram as relações entre os dois países nas últimas semanas estão:

– Uma montagem de Lula algemado e vendado no lugar do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, que foi preso pelos EUA em janeiro;

– Sanções contra autoridades brasileiras, como o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington, e com a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes em 2025;

– Sucessivos tarifaços contra o Brasil e produtos brasileiros;

Rubio é tido como uma das principais autoridades do segundo mandato de Donald Trump e a mente por trás da nova etapa da Doutrina Monroe que os EUA buscam aplicar no Hemisfério Ocidental para dominar a América Latina —sob ameaça de uso de militar para quem não coopere. Ele também seria o pivô da crise com o Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo podcast O Assunto.

Em alguns momentos, o secretário de Estado também tem adotado um posicionamento mais inflamatório, como quando trocou farpas com Lula.

O governo Trump tem um projeto para colocar os países latino-americanos à disposição de seus interesses e de “expulsar” a influência da Rússia e da China no continente. Em meio a essa investida, diversos países da região elegeram —ou foram impostos, no caso da Venezuela— governos alinhados ideologicamente ao presidente norte-americano, como no Peru, Colômbia, Chile, Bolívia e na Argentina de Milei. Com isso, o Brasil se tornou o país mais relevante com um governo de esquerda.

Sair da versão mobile