O governo dos Estados Unidos prepara o envio de dois altos funcionários do Departamento de Estado a Brasília com a missão de levantar questionamentos sobre a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A informação foi publicada na sexta-feira (24) pelo jornal “The Washington Post”, com base em relatos de autoridades americanas e brasileiras ouvidas sob condição de anonimato.
Segundo a reportagem, a viagem estria prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para 4 de outubro.
De acordo com o jornal, a delegação seria formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Samson é conhecido por realizar viagens a diferentes países defendendo pautas conservadoras e por manter interlocução com grupos de direita, o que, em outras ocasiões, gerou atritos com diplomatas e lideranças políticas tradicionais.
Negativa
O Ministério das Relações Exteriores negou o pedido de visto de dois funcionários do governo dos Estados Unidos alegando que eles vinham ao Brasil questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Os pedidos de vistos para os dois funcionários do Departamento de Estado americano, Riley Bernes e Samuel Samson, foram feitos na última segunda-feira (20) ao Consulado Brasileiro em Washington. O Departamento de Estado americano equivale ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Segundo o Itamaraty, a justificativa oficial apresentada pelos americanos para vir ao país era fazer contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de expressão. O governo dos Estados Unidos não detalhou os planos de viagem dos dois funcionários.
Segundo fontes diplomáticas, o Ministério das Relações Exteriores detectou movimentos para uso político da visita, com iniciativas que poderiam ter a intenção de questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro. Apesar de o Brasil ter a tradição de receber observadores internacionais antes e durante as eleições, a avaliação é de que os dois funcionários americanos não se enquadram nessa classificação.
Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que a visita dos dois funcionários seria de 27 a 30 de julho para encontros com autoridades brasileiras, líderes religiosos e membros da sociedade civil.
Segundo ele, o objetivo era discutir a integridade das eleições, a liberdade religiosa e de expressão, e qualquer insinuação de uma manobra para enfraquecer eleições democráticas de uma nação é uma mentira sem fundamento.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a área internacional do TSE foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar sobre a visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada a temática da agenda.
Sem interferência
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou nesse sábado (25) que a missão de diplomatas americanos prevista para o Brasil não tinha o objetivo de interferir nas eleições brasileiras. A manifestação foi divulgada após o Itamaraty negar os vistos de entrada de dois integrantes da pasta.
Em nota enviada por um porta-voz do Departamento de Estado, o governo americano afirmou que a missão seria uma “visita de rotina” e classificou como “mentira sem fundamento” as alegações de que a iniciativa buscava desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
Segundo o comunicado, o secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), Riley M. Barnes, e o secretário-assistente adjunto Samuel Samson tinham viagem prevista a Brasília entre os dias 27 e 30 de julho.
A agenda incluiria reuniões com integrantes do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil para discutir “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”.
“Qualquer insinuação de que a visita seria uma ‘manobra’ para minar as eleições de uma nação democrática é uma mentira sem fundamento. Tratava-se de uma visita de rotina, em conformidade com as atribuições legais do DRL”, afirmou o porta-voz do Escritório de Imprensa do Departamento de Estado. (Com informações do portal de notícias g1)
