O advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira afirmou, nesse domingo, que causou “grande indignação” a acusação feita pelo corretor Lúcio Funaro de que ele teria avisado o presidente Michel Temer do acordo de delação do doleiro. Mariz é acusado por Funaro de – ainda à época em que o defendia – ter repassado a informação de que ele estaria iniciando tratativas para uma delação premiada ao presidente, em 2016, supostamente violando seu sigilo profissional. O advogado reagiu enfaticamente contra a acusação do colaborador, por meio de nota.
“Eu soube que ele (Funaro) estava cogitando de uma eventual e incerta delação, pois recebi, não por engano como ele afirmou, mas por sua iniciativa (…), mensagens que havia trocado com advogados de Curitiba sobre o tema. No entanto, não comuniquei este fato ao Sr. Presidente, que, repita-se, não estava respondendo a nenhum procedimento e não era meu cliente. A realidade dos fatos teria sido revelada se eu houvesse sido consultado”, afirma Mariz no comunicado.
Em delação, o doleiro afirmou ter enviado por engano a Mariz, em junho de 2016, quando o advogado ainda era seu defensor, uma mensagem sobre honorários que deveria ter sido endereçada ao criminalista Figueiredo Basto, que o ajudaria em sua colaboração com o Ministério Público Federal. Ele afirmou que, à época, estava em tratativa para trocar de advogado.
O delator disse que, após enviar o e-mail acidentalmente, foi sondado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima sobre a possibilidade de delatar. Segundo Funaro, Mariz teria contado ao presidente Michel Temer, seu amigo e então cliente, sobre o avanço do doleiro em seu intento de colaborar com investigações.
O delator relatou também ter se reunido, em 2016, com o advogado da J&F Francisco Carlos de Assis e seu então defensor, Antonio Claudio Mariz de Oliveira, para alinhar sua estratégia de defesa com a de Joesley Batista.
O advogado deixou a defesa do presidente na sexta-feira, alegando conflito de interesses, por ter prestado serviços a Funaro, cuja delação embasa a última flechada do ex-procurador-geral da República contra Michel Temer (PMDB). Para seu lugar, Mariz indicou o criminalista Eduardo Pizarro Carnelós.
Leia um trecho da nota
1 – Deixei a defesa do referido cliente em meados de 2.016, período em que ele estava em liberdade e eu não advogava para o Presidente, pois ele não estava sequer sendo investigado. Assim, não havia nenhum nexo entre uma defesa e a outra, que à época inexistia. Não permaneci como defensor do Sr. Funaro, pois ele não seguiu minha orientação em determinado aspecto da sua defesa. Por mensagem, afirmou compreender a minha atitude, e agradeceu o trabalho desenvolvido em seu prol. Ficou combinado que eu devolveria parte dos honorários, fato que posteriormente ocorreu “QUERO AGRADECER DESDE JÁ TODO O ESFORÇO FEITO POR VOCÊS NA MINHA DEFESA E REAFIRMAR MINHA GRATIDÃO AO ESCRITÓRIO”
2- Eu soube que ele estava cogitando de uma eventual e incerta delação, pois recebi, não por engano como ele afirmou, mas por sua iniciativa (…), mensagens que havia trocado com advogados de Curitiba sobre o tema. No início do email a mim remetido ele diz ” PARA SEU CONHECIMENTO —” e reproduz comunicados dele e dos advogados. No entanto, não comuniquei este fato ao Sr. Presidente, que, repita-se, não estava respondendo a nenhum procedimento e não era meu cliente. A realidade dos fatos teria sido revelada se eu houvesse sido consultado.
