O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, usou o caso da condenação do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no julgamento do mensalão para justificar o alto número de delações premiadas na investigação sobre o esquema de corrupção na Petrobras.
“O caso Lava-Jato é fruto de uma conspiração do universo, uma conjugação de fatores altamente improváveis. Eu poderia citar 20 fatores. Um deles, que fez com que os acordos de colaboração acontecessem, foi o efeito Marcos Valério. As pessoas viram que um caso de repercussão gerou punição severa ao Marcos Valério e nós obtemos o efeito Marcos Valério. Ninguém quer ser um segundo Marcos Valério”, afirmou o procurador da República.
O empresário, acusado de ser um dos operadores do esquema, foi condenado a 37 anos de reclusão pelos crimes de corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e está preso desde novembro de 2013.
Atualmente, Marcos Valério cumpre pena na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). Mesmo diante de uma condenação tão elevada, o empresário não quis fazer delação e é um dos poucos que permanece encarcerado. Os mais importantes quadros do PT foram sentenciados a penas mínimas e já estão livres.
Até agora, no âmbito do MPF (Ministério Público Federal) em Curitiba (PR), os cordos fechados com investigados na operação contabilizam 28. As delações foram essenciais para a Lava-Jato escancarar o pagamento de propinas de empreiteiras a ex-diretores da companhia petrolífera e a políticos. (AE)
