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Empresa brasileira JBS compra grupo que atua na Inglaterra e na Irlanda por quase 1 bilhão de dólares

Aquisição se refere ao negócio de carne e congelados prontos da divisão de alimentos para o consumidor nos mercados da Irlanda e da Inglaterra. (Foto: JBS/Divulgação)

A JBS informou que a Pilgrim’s Pride, sua controlada, assinou acordo para adquirir ativos de alimentos do Kerry Group no Reino Unido e na Irlanda. O valor do negócio chega próximo da marca de US$ 1 bilhão.

“A operação fortalece a posição da companhia como uma das empresas líderes na indústria de alimentos na Europa”, disse o grupo de alimentos, em nota. O negócio vem para reforçar a estratégia global da gigante dos alimentos brasileira, que recentemente também fez uma aquisição na área de carne suína na Austrália.

De acordo com a JBS, o conselho de administração da Pilgrim’s aprovou o negócio, que é avaliado em mais de US$ 950 milhões (ou cerca de R$ 4,75 bilhões). Entre as marcas comercializadas pela Kerry Group estão Denny, Richmond e Fridge Raiders. O presidente global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse, em comunicado, que a aquisição reforça a plataforma da empresa na Europa e a capacidade de inovação para atender às necessidades dos clientes.

Segundo o grupo brasileiro, a aquisição inclui a Kerry Meats, líder na produção de alimentos à base de carnes e produtos prontos para o consumo no Reino Unido e na Irlanda, e a Kerry Meals, líder na produção de refeições prontas congeladas e resfriadas no Reino Unido. Combinados, os negócios registraram cerca de US$ 1 bilhão receita durante 2020 e possuem mais de 4,5 mil colaboradores.

Ainda de acordo com a JBS, a conclusão desta aquisição é esperada para o quarto trimestre de 2021 e está sujeita a aprovações regulatórias usuais nesse tipo de transação.

A entrada da JBS como ator direto no mercado europeu, com a aquisição da Tulip, ao mesmo tempo que atuará no importante segmento consumidor de suínos como o Reino Unido – e que importa mais de 1 milhão de toneladas – começa a blindar o grupo contra potenciais problemas que o Brasil venha a ter por questões sanitárias, disputas comerciais e até, por exemplo, em caso de retaliações na esteira das críticas à política ambiental. E abre uma linha direta com sua produção de carne de porco no Brasil.

A estratégia de ocupar os espaços globais não deixa de embutir uma espécie de armadura, já que atuações diretas em mercados regionais diminuem as resistências locais. Embora nos Estados Unidos a JBS é alvo de críticas e, mais recentemente, dois senadores pediram para fossem investigadas as operações de compras de empresas locais, o grupo segue firme, tanto que foi sua subsidiária, Pilgrim’s, a comprar as operações da Tulip.

A empresa comprada no Reino Unido, até então subsidiária do grupo Danish Crown e avaliada em US$ 366,7, de acordo com informe da Reuters, atua somente no setor de suínos, de carne fresca a embutidos. Neste último segmento, tem presença com a marca própria Danepak.

Nas exportações, está presente em toda a Europa – além de África e Ásia – com vendas de cerca de 60 mil toneladas, de acordo com o site da empresa.

Mesmo prevalecendo o Brexit, portanto com o Reino Unido perdendo vantagens comerciais no bloco, a Tulip continuará europeia.

E como todos os países europeus são importadores líquidos de carne e mais ainda o Reino Unido, com cerca de 1 milhão de toneladas anuais, a Tulip acabará importando da própria casa parte de suas necessidades, garantindo uma janela a mais para a JBS.

Aliás, até a saída negociada ou não da Europa pelo reino poderá ser aproveitada pela empresa, já que haverá menor fornecimento de matéria-prima à Tulip, originária de outros europeus, e isso deverá estimular o governo a facilitar importações.

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