O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou dez pessoas pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, tortura de crianças e maus-tratos a animais no município de Bagé (Região da Campanha). As acusações incluem atos de asfixia, estrangulamento e outras formas de violência contra quatro menores com idades de 6 dias, 2 e 10 anos.
Um outro bebê teria sido alvo de repetidos ataques no período de 2 a 5 meses. Além disso, a vítima de 10 anos foi supostamente coagida a participar de atos de asfixia contra um irmão mais novo. Os fatos remontam a 2025 e este ano.
De acordo com os promotores Diogo Gomes Taborda e Pedro dos Santos Fernandes, o principal acusado se aproveitava de parentesco, liderança religiosa e confiança das mulheres que deixavam seus filhos sob seus cuidados. Também aliciava indivíduos para que se envolvessem nas práticas hediondas:
“Mediante oferta ou promessa de dinheiro, ele aliciava jovens da comunidade e outras pessoas de seu círculo de convivência para participarem das agressões e atos de asfixia”, ressaltam. “Os dez denunciados teriam atuado de formas distintas, conforme cada caso, sendo que o principal articulador responde pelo maior número de crimes.”
Laudos periciais elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) apontaram que a prática de asfixia mecânica e compressão sobre o pescoço causaram perido concreto à vida das pequenas vítimas. Para os investigadores, trata-se de uma clara demonstração de que o grupo investigado assumia o risco de matá-las.
Os maus-tratos a animais igualmente envolveram agressões e sufocamento, tendo como alvo dois cães. As informações constam no site mprs.mp.br.
A situação veio à tona após a Polícia Federal (PF) apreender celulares de investigados em esquema de fraudes no comércio de combustíveis na região. Durante a análise pericial dos aparelhos foram então descobertas dezenas de vídeos com os ataques às crianças.
“Trata-se de uma série de crimes bárbaros praticados contra vítimas altamente vulneráveis, que demonstra que a maldade humana não possui limites, lamenta o promotor Diogo Gomes Taborda. “No que depender do Ministério Público, esses fatos não ficarão impunes.”
Vacaria
Na região Nordeste do Estado, o Tribunal do Júri da Comarca de Vacaria condenou a 16 anos de prisão em regime inicialmente fechado uma uma mulher acusada de matar a filha recém-nascida, no dia 7 de abril de 2015. A determinação inclui o cumprimento imediato da sentença, embora a ré ainda possa recorrer.
O Ministério Público convenceu os jurados a respeito da tese de homicídio qualificado mediante asfixia. Foram considerados agravantes a vulnerabilidade da vítima e o fato de ela ser descendente da autora do crime. Já a confissão espontânea pela acusada foi considerada um atenuante.
Consta no processo que a mulher conseguiu ocultar sua gravidez até o final, sem que nem mesmo a família percebesse. Quando o criança nasceu, na própria residência da mãe, esta a matou por asfixia mecânica.
(Marcello Campos)
