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Grupos de publicidade saem da Rússia

Decisão vem após grandes anunciantes americanos e europeus decidirem deixar a Rússia. (Foto: Unsplash)

Depois que grandes anunciantes americanos e europeus decidiram deixar a Rússia, em função da invasão da Ucrânia, os grupos publicitários mais importantes do mundo também resolveram suspender as operações em Moscou.

A holding britânica WPP já no início de março anunciou que estava fechando as portas de seu escritório na Rússia, com 1.400 empregados. Um dia depois foi o grupo Publicis, que passou as suas agências, com 1.200 funcionários, para grupos locais.

Em seguida, a Dentsu tomou a decisão de sair das joint-venture que tinha na Rússia, operação que envolve 1.500 funcionários. A última a seguir o caminho foi a Omnicom, que anunciou aos funcionários globais na quinta-feira, estar deixando a operação naquele país. A empresa afirma que está planejando um processo ordenado para garantir continuidade aos clientes assim como segurança e bem-estar aos 200 funcionários, alguns deles que trabalham há décadas no grupo.

O CEO do Interpublic Group (IPG), Philippe Krakowsky, em carta aos clientes, afirmou que o que estava atrasando a decisão era como deixar amparados os 200 funcionários da empresa. A solução, segundo ele, foi deixá-los com capital suficiente para pelo menos seis meses de subsistência.

A Havas, com sede em Paris, não tinha operação em Moscou, mas negociava a compra de uma agência russa. As negociações foram suspensas e a agência deixou os funcionários ucranianos com seus salários garantidos até o fim do ano.

“Não foi pânico que tomou conta das agências europeias, mas preocupação de como socorrer os profissionais, nesta situação única”, diz Tamara Daltroff, diretora geral da Associação Europeia das Agências de Comunicação (Eaca) e CEO da Voxxcom, entidade global das agências.

Mas nem todas as empresas multinacionais tomaram a decisão de deixar a Rússia. Desde o início do conflito, o professor Jeffrey Sonnenfield e sua equipe do Instituto de Liderança de Chefes Executivos da Universidade americana de Yale vem publicando uma lista de multinacionais que estão deixando de fazer negócios na Rússia.

A publicação da lista, que já passa de 400 empresas, acabou pressionando alguma delas a decidir deixar a Rússia para não arcar com o risco de imagem. Outras continuam mantendo suas operações e não se manifestaram sobre a invasão da Ucrânia.

Segundo a lista, na parte que inclui as que estariam “desafiando os pedidos para sair ou reduzir atividades no país” estão as empresas Guardian, de vidros, dos irmãos Koch, famosos por financiar o ex-presidente Donald Trump, e marcas conhecidas como Subway, hotéis Accor e pneus Pirelli.

O presidente do grupo Koch, que emprega 122 mil pessoas globalmente, Charles Koch, disse nesta quinta-feira ao jornal “Washington Post”, que sair da Rússia colocaria 600 empregados de sua subsidiária local em risco, o que “faria mais mal do que bem”.

A Natura &Co, dona das marcas Avon, The Body Shop e Aesop, é incluída nessa parte da lista. A companhia diz que a invasão da Ucrânia pela Rússia “é uma agressão inaceitável”. Informou, em nota, que The Body Shop e Aesop suspenderam a entrega de produtos para seus franqueados na Rússia. E que a Avon suspendeu as exportações a partir da Rússia e “avalia os embarques em direção àquele mercado”.

A companhia acrescentou que se esforça “para fornecer às nossas representantes os meios para sustentar sua independência financeira, e para que nossa fábrica local [na Rússia] continue o fornecimento às suas operações de venda por relações”. Até quinta-feira, a companhia já havia doado mais de R$ 3 milhões para a Ucrânia, em especial para a operação local da Cruz Vermelha. A Natura informou ainda que continuará “a avaliar nossa posição à medida que a situação evoluir”.

Posição semelhante à da Natura também foi adotada pelas fabricantes de alimentos Danone e Nestlé, que mantêm operações no mercado russo, alegando que seus produtos são gênero de primeira necessidade para a população.

As maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo também enfrentam uma situação delicada. As chamadas de “Big Four” – Deloitte, EY, KPMG e PwC – empregam cerca de 15 mil pessoas em seus escritórios na Rússia e estão profundamente envolvidas na economia do país, informou o jornal “Financial Times” nesta semana. Sair do mercado russo, no caso das Big Four, é um processo lento e complexo.

A executiva da associação europeia de agências de comunicação, Tamara Daltroff, contou que, apesar da guerra, na parte oeste da Ucrânia, segundo informações do início desta semana, os negócios ainda estavam sendo feitos “quase normalmente”. Ela ressalva, porém, que a situação pode mudar de uma hora para a outra.

A associação europeia criou em poucos dias a plataforma Adaid.eu para auxiliar os profissionais que deixam a zona de guerra a conseguirem trabalho em agências de publicidade europeias. Em poucos dias já teve 16 mil acessos. As informações são do jornal Valor Econômico.

 

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