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Ministro da Economia ataca IBGE e diz que órgão vive na “idade da pedra lascada”

Comprometimento com equilíbrio fiscal será mantido, afirmou Guedes. (Foto: Edu Andrade/ME)

Pouco após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar nesta semana que a taxa de desemprego ficou em 14,6% no trimestre móvel terminado em maio, com 14,795 milhões de desempregados, ainda nas máximas históricas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, atacou o órgão, subordinado à sua pasta. Guedes disse que o IBGE vive na “idade da pedra lascada”, ao criticar sua metodologia para retratar o mercado de trabalho.

Os números do IBGE mostram que o mercado de trabalho segue como uma das maiores preocupações da economia brasileira. O desemprego cresceu com mais pessoas em busca de uma ocupação, já que a evolução da população ocupada aponta para a criação de vagas, ainda que em ritmo insuficiente.

Na crítica, Guedes olhou apenas para os dados do emprego formal, divulgados pelo Ministério da Economia mais cedo durante a mesma semana, apontando a geração de 1,5 milhão de vagas no primeiro semestre.

“A Pnad do IBGE está metodologicamente atrasada, é uma pesquisa feita pelo telefone. É muito superior a metodologia do Caged, que vem diretamente das empresas”, disse Guedes, após participar de evento na sede do ministério no Rio de Janeiro. “Ele (o IBGE) ainda está na idade da pedra lascada, baseado em métodos que não são os mais eficientes. Temos as informações diretas da empresa”, completou o ministro.

A assessoria de imprensa do IBGE disse que o órgão não comentaria a crítica, refutada por economistas especializados e ex-presidentes do instituto. Na crítica, o ministro comparou duas pesquisas diferentes. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é um registro administrativo de demissões e admissões com carteira assinada – quando as contratações superam as dispensas, há criação de vagas. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), do IBGE, mapeia o emprego formal e informal e também o desemprego, que não é medido no Caged. Segundo a Pnad, o Brasil tem 34,712 milhões de trabalhadores informais, 40% do total.

“A diferença é uma coisa muito óbvia, o Caged mede apenas o trabalho formal”, disse Simon Schwartzman, presidente do IBGE no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso.

Levianamente política

Para Roberto Olinto, que presidiu o órgão de estatística do governo Michel Temer até o início do governo Bolsonaro, a crítica de Guedes é “inaceitável”, “leviana” e não passa de uma “declaração política”, como outros “ataques” do governo federal a “instituições técnicas e científicas”. Segundo Olinto, o ministro cita o Caged porque os dados são mais positivos.

“Voltamos à velha questão de quebrar o termômetro”, afirmou Olinto, ressaltando que “as comparações com o Caged são mais do que explicadas em estudos de dentro e de fora do IBGE”.

Guedes pegou carona num debate técnico sobre como a pandemia atrapalhou, de forma inédita, tanto o mercado de trabalho em si quanto a produção de informações sobre ele. Estudos de economistas especializados sugerem que, de um lado, a Pnad, ao passar a ser feita por telefone, pode estar subestimando o emprego formal e, de outro, o Caged pode estar superestimando a criação de vagas.

Os números do Caged podem sofrer influência dos programas de suspensão de contratos de trabalho, da falência e da hibernação de empresas durante a pandemia, o que pode levar a falhas na informação de desligamentos de funcionários, segundo economistas. No caso da Pnad Contínua, o próprio IBGE já reconheceu problemas e apontou as dificuldades de fazer as entrevistas por telefone, mas prometeu fazer ajustes, inclusive nas séries históricas.

Só que isso não muda a percepção sobre as dificuldades do mercado de trabalho. A geração de empregos insuficiente vem mantendo o desemprego em níveis recordes. Segundo a Pnad, a taxa de desocupação de 14,6% no trimestre móvel até maio, com 14,795 milhões de desempregados, nas máximas históricas, sobe para 29,3%, incluindo desalentados (que simplesmente desistiram de procurar emprego) e subocupados (que trabalham menos do que gostariam). Está faltando trabalho para 32,946 milhões no País, o equivalente às populações de Angola ou da Malásia.

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