José Jonas Ribeiro, um pacato estudante de Jornalismo e professor de inglês, que completa 26 anos no dia 21 de maio, andava no ano passado pelo Centro do Rio, quando de repente viu um grupo de adolescentes gritando e correndo em sua direção. Assustado, deu meia volta e também correu, mas logo foi alcançado. Na verdade, eram fãs de Daniel Jacob Radcliffe, ator britânico de cinema, televisão e teatro, que se tornou mundialmente conhecido. Ele foi o protagonista da adaptação cinematográfica de Harry Potter, baseada na série de contos da autora britânica J. K. Rowling. Sósia do artista internacional, José Jonas conta que custou convencer os jovens que ele não era o bruxo mais famoso que as telonas já tiveram.
“As pessoas sempre brincam comigo, dizendo que sou muito parecido, mas nunca tinha enfrentado uma situação inusitada dessas. Fui agarrado, ganhei beijos, abraços e até beliscões carinhosos das mulheres. Tirei fotos com o grupo e até autógrafo dei”, gaba-se José Jonas, às gargalhadas, enquanto tenta ajeitar os cabelos pretos, sempre despenteados, como os do famoso ator, de quem se diz fã incondicional. “Temos a mesma personalidade”, garante.
Estudante de Jornalismo aproveita semelhança com ator britânico para protagonizar série própria. (Foto: Reprodução)
Com o mesmo tipo físico magro, idade e jeito de se vestir, óculos arredondados e olhos verdes, semelhantes ao de Radcliffe – que oficialmente encerrou sua participação cinematográfica em 2010, depois de dez anos — , o estudante, de origem humilde, passou a ser conhecido como o Harry Potter Carioca, decidiu unir o útil ao agradável. Mesmo sem recursos, contando com ajudas isoladas de um grupo de amigos, ele passou a escrever romances em um blogue e uma trilogia para curta-metragens. Dos três filmes planejados, o intitulado ‘O Menino de Outro Século’ já está praticamente pronto, protagonizado e dirigido por ele, filmado pelo amigo Renan Lima, e com a participação dos amigos Pedro Gui, Paula Sampaio e Júlia Matos.
“Precisamos de patrocínio para os demais”, conta José Jonas, morador da Zona Oeste, onde utiliza locações emprestadas e naturais da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Pedra de Guaratiba. “Necessitamos de um drone, por exemplo, para tomadas aéreas, e não temos dinheiro”, lamenta. “Mas tenho amigos e saúde. Vou conseguir”, garante, lembrando que escreveu um livro de 230 páginas, que, a exemplo dos curtas, também envolve o mundo imaginativo de Harry. “Espero ainda encontrar um agente literário que me ajude a publicá-lo”, sonha. (AD)
