O helicóptero espacial da Nasa, o Ingenuity, sofreu problemas em seu sexto voo em Marte. A missão que ocorreu em 22 de maio foi descrita nas redes sociais da agência espacial, comentando algumas falhas na operação. Apesar de algumas dificuldades, a pequena nave conseguiu completar a viagem com sucesso.
Após completar o primeiro ciclo de testes, os pesquisadores responsáveis pela missão decidiram realizar mais algumas atividades com o veículo no planeta vermelho. O trajeto a ser percorrido naquele dia era de 150 metros a 10 metros de altura, na velocidade de 4 metros por segundo, com o objetivo de avaliar a capacidade do Ingenuity de registrar imagens de forma aérea.
No início da tentativa, tudo correu bem. Entretanto, após percorrer os 150 metros planejados, o helicóptero começou a oscilar e mudar de velocidade de forma inesperada – o que de acordo com a agência, ocorreu como uma forma da nave de encontrar o equilíbrio novamente após problemas.
A causa relatada do erro foi uma falha no sistema de captação de imagens. Após cerca de 54 segundos do início do voo, um problema fez com que todas as imagens fossem registradas com data e horário errados. Quando os cientistas perceberam a alteração, enviaram as informações corretas para o sistema, que ao tentar corrigir os equívocos alcançou picos de energia, entre outras falhas.
O piloto responsável pelo veículo, Håvard Grip, afirmou que o problema não foi mais grave pois o próprio Ingenuity possui um sistema de “redução de danos”, que gera uma margem de estabilidade no caso de problemas. De acordo com a agência, o helicóptero já está “pronto para voar novamente”.
Sais orgânicos
Uma equipe da Nasa descobriu que sais orgânicos provavelmente estão presentes em Marte. Como fragmentos de cerâmica antiga, esses sais são os restos químicos de compostos orgânicos, como aqueles previamente detectados pelo rover Curiosity. Compostos orgânicos e sais em Marte podem ter se formado a partir de processos geológicos ou podem ser remanescentes de possível vida microbiana antiga que existiu no local.
Além de acrescentar mais evidências à ideia de que já houve matéria orgânica em Marte, a detecção direta de sais orgânicos também dá suporte à ideia de habitabilidade em Marte nos dias modernos – visto que na Terra, alguns organismos podem usar sais orgânicos, como oxalatos e acetatos, como formas de energia.
“Se determinarmos que existem sais orgânicos concentrados em qualquer lugar de Marte, vamos querer investigar mais a fundo essas regiões e, idealmente, perfurar mais profundamente abaixo da superfície, onde a matéria orgânica poderia ser mais bem preservada”, disse James Lewis, o geoquímico que liderou a pesquisa, em um comunicado da Nasa. Lewis trabalha no Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, Maryland.
Os experimentos de laboratório de Lewis e a análise de dados da Sample Analysis at Mars (SAM), um laboratório de química portátil localizado no interior do rover Curiosity, que caminha por Marte, apontam indiretamente para a presença de sais orgânicos.
Mas identificá-los diretamente em Marte é difícil de fazer com instrumentos como o SAM, que aquece o solo e as rochas marcianas para liberar gases que revelam a composição dessas amostras. O desafio é que o aquecimento de sais orgânicos produz apenas gases simples que podem ser liberados por outros ingredientes no solo marciano.
