Quando o coração bate, contrai e bombeia sangue, pelas veias, para o restante do corpo. É a vida pulsando no peito. Esse movimento gera uma pressão sobre as artérias, cujo valor ideal é de 12 por 8. Porém, quando as veias sofrem algum tipo de resistência, perdendo a capacidade de contrair e dilatar, ou então quando o volume sanguíneo se torna muito alto, exigindo uma velocidade maior para circular, acontece a hipertensão. Essa doença, que atinge 30 milhões de brasileiros (15% da população), pode provocar complicações que levam à morte. A hipertensão não tem cura, mas tem tratamento.
A SBH (Sociedade Brasileira de Hipertensão) recomenda medidas simples para a prevenção. O grande desafio da medicina, entretanto, é convencer o paciente a controlar a pressão e a nunca suspender o tratamento por conta própria, mesmo que não esteja sentindo nada. Afinal, como dizem os médicos, a hipertensão é um “mal silencioso”, sem sintoma específico.
Segundo o presidente da SBH, Mario Fritsch Neves, as pessoas devem medir a pressão, pelo menos, uma vez por ano. “Existem aparelhos eletrônicos validados pela SBH, mas eles servem apenas para alertar”, adverte Neves, salientando que o diagnóstico tem que ser feito pelo médico.
Conforme a SBH, 95% dos casos de hipertensão são ocasionados por uma conjunção de fatores, entre os quais, o excesso de sal e o ganho de peso, além do componente genético. O problema se acentua no País porque mais da metade dos brasileiros está acima do peso, sendo que um terço sofre de obesidade. Estudo inédito, publicado pela revista científica britânica Lancet sobre a obesidade, revela um total de quase 30 milhões de brasileiros adultos obesos. Esse número coloca o Brasil como um dos líderes no ranking de países mais obesos do mundo, sendo o terceiro entre as mulheres e o quinto entre os homens.
Os estragos causados pela hipertensão na população brasileira são terríveis. “Pelo menos 60% das mais de 100 mil mortes por infarto registradas anualmente poderiam ser evitadas caso as pessoas simplesmente controlassem a própria pressão arterial”, reclama o cardiologista Carlos Alberto Machado.
O “mal silencioso” também é apontado como vilão em 80% dos cerca de 100 mil derrames, 40% dos casos de insuficiência cardíaca e 37% dos casos de insuficiência renal terminal, que leva os pacientes à diálise.
Machado estima que somente 20% dos brasileiros têm a pressão controlada. E admite que o maior desafio para enfrentar a hipertensão é intensificar a prevenção e melhorar a adesão ao tratamento. “Temos que convencer o indivíduo que não sente nada, a reduzir o peso, a bebida e ter mais qualidade de vida. O tratamento evoluiu muito nos últimos anos, mas não existe a cultura da prevenção.” (AD)
