“Sai, sai, sai. Fecha isso.” A primeira imagem é de choque e susto. Abrir um contêiner de lixo e encontrar alguém dormindo dentro dele é uma cena que se repete, segundo moradores, há pelo menos três anos perto da rodoviária de Sorocaba (SP), bairro em que o morador de rua conhecido como Emerson escolheu para “morar”. Arredio, ele prefere não conversar com outras pessoas.
“Na primeira vez que eu vi levei um susto, até demorei para entender que era uma pessoa quando vi algo se mexendo. Depois fiquei chocada com aquela imagem e não consegui nem dormir direito. A gente fica pensando o que leva uma pessoa a morar dentro do lixo”, diz a assistente administrativa Adriana Galdini Tavano, uma das “vizinhas” do homem. Uma das poucas pessoas que já conseguiram falar com ele é Valdemar Felipe Rosa Júnior, coordenador de um posto de combustíveis e que viu quando o homem “se mudou” para Sorocaba.
“Ele disse o nome e que era da capital, onde trabalhava no Ceasa, mas nunca explicou por que dormia no lixo. Eu não vejo ele usando drogas ou bebendo, então eu acho que ele tem algum problema psicológico ou deixou de tomar algum remédio”, conta.
