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Homeschooling no Brasil?

Agora é esperar pela lucidez do Congresso Nacional, para que este projeto seja rejeitado, principalmente com base na sua inconstitucionalidade.(Foto: Reprodução de TV)

Novamente acontecem campanhas e debates na Câmara Federal, com a intenção de aprovar e regulamentar a Educação domiciliar no Brasil, quem propõe essa questão, desconhece a realidade da atual sociedade e da Educação brasileira ou talvez, há muito tempo não visita uma escola.

Desde já, como profissional da Educação, expresso minha preocupação com esse fato, que, por óbvio, vai contra o que realmente precisamos em relação à Educação no Brasil.

O mais triste disso tudo, é que há tantas outras questões ainda mais importantes esperando debates e ações no congresso e a elas, não é dada a mesma atenção!

Nossos nobres deputados federais esquecem que a Educação formal nas escolas, vai além da alfabetização, dos conteúdos, de aprender a ler, escrever, interpretar e calcular, que, por si só, já é muito complexo e não será uma pessoa com um curso superior fora da área da Educação, sem a qualificação específica e necessária, que dará conta de Educar uma criança, o que por certo acontecerá em muitos lares se a lei for aprovada. Imaginem as casas onde o pseudoeducador nem curso superior possui?

Também esquecem os nobres, que as crianças e os adolescentes precisam da escola como palco para a sua sociabilidade, onde aprenderão a observar, a conviver, discutir, posicionar-se, respeitar o diferente e o contraditório. Isso é cidadania, que só será alcançada no convívio diário com o coletivo e não em quatro paredes, isolado com o seu Educador responsável ou alguém contratado para tal, que, por certo, tentará fazer diariamente as atividades de professor, mas que sabemos que isso não acontecerá em sua plenitude, por motivos óbvios e já citados!

É na escola que o ser humano se constrói como tal e também como ser social, pois é lá que ele enfrenta desafios, é colocado frente à responsabilidades, aprende a ouvir, respeitar, cumprir seus deveres e exigir seus direitos no processo democrático e social, mas talvez seja este o problema e o temor de alguns governantes, e, por isso, alguns propõem “fechar” os estudantes em casa, impedindo-os de serem seres sociais, de pensar e se expressar de maneira lógica, inteligente, questionadora e autônoma! Penso, logo existo! Não é mesmo?

Quem optar por este modelo de ensino, se o projeto for aprovado, correrá o risco de colocar seus filhos sob orientação de alguém não habilitado, e, se habilitado, sem a socialização que a escola proporciona, se isso acontecer, fica o questionamento: que indivíduos teremos no futuro?

Outra questão muito importante, como ficarão as crianças com dificuldades educacionais especiais, que frequentam as escolas e são atendidas por profissionais especializados? Terão o mesmo estímulo e desenvolvimento em casa? E aquelas que só os professores, pedagogos, psicopedagogos e psicólogos identificam as dificuldades e transtornos e posteriormente alertam os responsáveis, muitas vezes recebendo a resistência dos mesmos em aceitar essa realidade? Como ficarão? E os superdotados que a escola também identifica? São tantas as diversidades em uma escola…

Será que sendo educada em casa essas crianças e adolescentes receberão uma alimentação adequada e balanceada, como na escola, que contribui tanto para a construção de seus hábitos alimentares e sua saúde? É na escola que os estudantes mudam ou ajustam os seus hábitos alimentares que levarão para toda a vida!

Esta reflexão precisa ser feita com muita propriedade, não apenas no campo político e ideológico!

Definitivamente não é este o tipo de Educação que nosso país precisa, ao contrário do homeschooling, precisamos é de investimentos maciços em Educação, inclusive com um novo ajuste nos cursos superiores de formação a distância, EAD, que no formato que está ainda não é o ideal, mas isso não é do interesse de alguns ou muitos, por motivos óbvios!

Agora é esperar pela lucidez do Congresso Nacional, para que este projeto seja rejeitado, principalmente com base na sua inconstitucionalidade, pois a Constituição brasileira garante o direito às crianças e adolescentes de frequentarem a escola e, assim, a construírem-se coletivamente como seres sociais, racionais, autônomos e preparados para o mundo do trabalho, conforme a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
Homeschooling, não é para o Brasil que temos hoje!

 

* Luís Eduardo Souza Fraga – historiador e escritor (Contato: fragaluiseduardo@gmail.com)

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