Entidades do setor hospitalar privado pediram ajuda ao governo para importar medicamentos e sedativos para intubação de pacientes de coronavírus. O pleito foi feito em uma reunião por videoconferência, na sexta-feira (26), promovida pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados e que contou com a representante do Ministério das Relações Exteriores, Melina Maia, conselheira-geral de Soberia Nacional e Cidadania da pasta.
“Os hospitais privados estão preocupados com a falta dos medicamentos a curto prazo e com o aumento de preços. Estamos com os hospitais lotados, e o número de internados só aumenta. A entrada do ministério abriria perspectiva de busca desses medicamentos em vários países”, disse Marco Aurélio Ferreira, diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados, que representa instituições como Albert Einstein, Sírio Libanês e Rede Dor. Ferreira pediu ajuda do ministério e da Câmara para ajudar nas negociações.
“A situação é desesperadora. Os hospitais privados do Pará têm medicamento e sedativos para mais um dia apenas”, disse Beno Sobral, da Confedereção Nacional de Saúde.
Presidente da Comissão de Saúde, Dr. Luizinho (PP-RJ) afirmou que uma das possibilidades é a centralização de compras, o que permitiria à rede privada adquirir os produtos por um valor abaixo do praticado pelo mercado.
“A indústria brasileira não está dando conta da atual demanda. Já vimos o mesmo desastre acontecer no ano passado. Eu não acredito que essa situação da falta de medicamentos tenha solução fácil internamente, por isso precisamos de contatos internacionais e ajuda governamental nessas compras para desembaraçar com rapidez questões alfandegárias e sanitárias”, disse Dr. Luizinho.
Uma lista de 41 páginas com nomes de fornecedores internacionais e seus respectivos produtos foi enviada à Comissão de Saúde e ao Ministério das Relações Exteriores para que possam iniciar os contatos.
Dr. Luizinho participou, com o presidente da Câmara, Arthur Lira, de quatro reuniões com autoridades chinesas, entre as quais o ministro das Relações Exteriores do país, origem dos insumos das duas principais vacinas brasileiras: a Coronavac e a Oxford/Astrazeneca.
Aumento do preço
Os medicamentos usados no tratamento da covid-19 em UTI, mais especificamente o chamado “kit intubação”, tiveram uma alta de mais de 660%, segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde).
A entidade, que reúne oito federações de hospitais, laboratórios e clínicas particulares de todo o Brasil, além de 90 sindicatos de saúde, fez um levantamento com seus associados que mostrou o aumento de preços e de uso dos medicamentos mais utilizados para intubação orotraqueoral. A utlização desses medicamentos deu um salto de mais de 2.000% em alguns casos, como do medicamento rocurônio, utilizado para sedação.
Em julho de 2020, a Federação Nacional dos Hospitais, Laboratórios e Clínicas do Estado de São Paulo (Fehoesp) já havia enviado ofício ao Ministério informando que havia constatado aumento de 1.000% nos preços.
Segundo o presidente da CNSaúde, Breno Monteiro, anestésicos, sedativos e relaxantes musculares que são usados para intubar o paciente, como propofol (usado para sedação), passou de R$ 28,60 antes da pandemia para R$ 183 em março de 2021, uma alta de 539,86%. A maior alta foi do relaxante muscular Midazolam que custava, antes da pandemia, R$ 22,78 e agora custa, em média, R$ 174, um aumento de 663,83%.
Outros medicamentos pesquisados foram o bloqueador muscular atracúrio, que passou de R$ 32,10 para R$ 205, aumento de 538,63%; o rocurônio, que foi de R$ 33,33 antes da pandemia para R$ 202 agora (aumento de 506,06%) e cisatracúrio, que antes custava R$ 36,12 e agora custa R$ 205 (aumento de 467,55%).
