Os recursos de Inteligência Artificial podem ser bastante úteis nas últimas semanas antes do Enem, seja em revisões, em correções ou na otimização da rotina do candidato. Com os devidos cuidados, a IA pode formular simulados e mapas mentais, indicar conteúdos, identificar padrões de erro e propor temas para a redação, apontam professores e educadores.
“Os agentes de IA podem funcionar como professores de matemática, lendo os resultados obtidos em provas anteriores e indicando conteúdos a serem revisados. Podem também identificar lacunas e sugerir vídeos e artigos on-line. E estabelecer uma lista de exercícios baseada nos gaps do candidato”, afirma Marcelo Tavares, diretor pedagógico do Elite Rede de Ensino, parceiro da Amplia Plataforma de Ensino.
No caso da Redação, a inteligência artificial pode sugerir temas baseados na própria postura do Enem de apostar em temáticas de valorização da cidadania e da participação política, explica o educador: “O principal risco é deixar a IA escrever textos pelo aluno. Ela entra como corretora e orientadora, nunca como autora”.
A revisão de textos pode ser feita via Matriz de Referência do Enem, que é pública e estabelece o conteúdo, as competências e o que é exigido nas provas, a partir dos cinco eixos cognitivos que norteiam a avaliação. A IA consegue identificar os pontos fracos do estudante e oferecer uma estimativa de nota, o que auxilia na autoavaliação e na definição do que ainda vale ser aprimorado.
Atenção redobrada na hora de checar
Como em todos os usos de IA, o candidato precisa conferir as explicações e respostas em fontes confiáveis e em gabaritos oficiais. Não existe ferramenta imune a equívocos, então ninguém deve considerá-la como fonte única de informação. Respostas desatualizadas, simplificações exageradas, má interpretação de enunciados e cálculos matemáticos errados sempre podem surgir, mesmo quando a resposta é eloquente e aparentemente segura.
Para Rafaela Quintella, coordenadora do Ensino Médio e Pré-Vestibular do Colégio e Curso Pensi, os recursos são interessantes para a sistematização da rotina final de estudos.
“As ferramentas permitem agilizar e individualizar etapas: organizar a rotina, revisar conceitos rápidos ou simular situações de prova. Embora a IA não substitua o planejamento pedagógico, pode potencializar o estudo. Na redação, o aluno tem que desenvolver sua própria capacidade de argumentação e construção textual. Dá pra recorrer a ferramentas que utilizem como referência os critérios de correção do Inep, para uma análise mais próxima da realidade do Enem. A essa altura, mais do que estudar muito, o segredo é estudar bem”, recomenda.
Para evitar respostas genéricas ou incorretas, as dicas são:
Dar comandos claros; Definir a persona com quem se consultar (exemplo, “um professor voltado ao Enem”, “um especialista na Teoria de Resposta ao Item”); Buscar livros didáticos e provas anteriores com gabarito para garantir.
Na dúvida, especialmente em questões discursivas e relativas à Redação, a orientação dos profissionais da educação é checar com os professores presencialmente, para validar o que a IA sugere.
Rodrigo Reis, especialista em Enem e diretor do Cubo Global School, lembra também que, ao ter respostas erradas apontadas pela IA, o aluno deve procurar entender onde falhou: se faltou conteúdo, se houve um problema de interpretação ou se foi, simplesmente, uma distração momentânea:
“Existe um ouro nesta preparação que se explora pouco: os próprios erros. Um caminho prático é reunir as provas e os simulados, junto com as respostas e os gabaritos oficiais. A IA organiza esse material por assunto e ajuda a perceber onde estão tanto os erros mais frequentes quanto os pontos fortes. Aquela impressão de ‘sou bom nisso’ ou ‘tenho dificuldade naquilo’ passa a ser confrontada com os resultados. Só tem que conferir se a ferramenta organizou tudo certinho”, avisa.
Na Redação, por exemplo, é possível descobrir se é preciso desenvolver melhor os argumentos ou organizar a ligação entre os parágrafos. Em vez de tentar mudar tudo na próxima, o aluno já reúne pontos específicos para trabalhar. (Com informações do jornal O Globo)
