Ícone do site Jornal O Sul

Imigrante venezuelana é a 61ª vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul este ano

Evelin foi esfaqueada pelo companheiro em uma rua de Ercehim. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O município de Erechim (Norte gaúcho) foi palco do 61º feminicídio deste ano no Rio Grande do Sul. A vítima é Evelin Del Carmen Betanco Vera, imigrante venezuelana de 27 anos, mãe de duas crianças e que estava em casa, no bairro Atlântico, quando o marido – também oriundo do país vizinho – a esfaqueou. Ela recebeu atendimento no Hospital Santa Terezinha, mas não resistiu.

Já o homem fugiu do local do crime, mas foi localizado e detido por integrantes da Brigada Militar (BM), que o encaminharam à Polícia Civil. Após audiência de custódia na tarde dessa quinta-feira (8), a 1ª Vara Criminal da Comarca local converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Registros oficiais apontam que a Evelin já havia denunciado o companheiro por violência doméstica em 2025 e no início desta semana. Em ambas as ocasiões, obteve medida protetiva mas logo depois optou por retomar a relação – no segundo caso, o relato de novas ameaças pelo parceiro chegou a motivar curto período de acolhimento em um abrigo, antes da desistência.

Por coincidência, um dos feminicídios mais recentes no Rio Grande do Sul (domingo passado) também envolveu um casal de venezuelanos. Noraysis El Carmen Planche, 36 anos e moradora da cidade de Barra do Guarita (Região Noroeste), foi atacada com golpes fatais de canivete pelo companheiro, após fugir de casa a pé e ser alcançada a cerca de duas quadras de casa.

Em seguida, ele tentou cometer suicídio autoinflingindo perfurações com a arma-branca no próprio pescoço, mas foi contido por policiais da Brigada Militar (BM), preso em flagrante e conduzido para atendimento. Não havia registros de incidentes anteriores entre os dois imigrantes. Também não foi divulgada qual as atividades profissionais realizadas por Evelin, Noraysis e seus respectivos maridos.

Estatística

O último feminicídio cometido em Erechim remonta a 20 de outubro de 2023 – praticamente três anos, portanto. Já sobre Barra do Guarita não há registros em um passado recente.

Nesses quase dez meses desde o início de 2026, Porto Alegre lidera a estatística com 12 dos 61 casos gaúchos (uma proporção de 19,7%. Em segundo lugar aparece Sapucaia do Sul (Região Metropolitana da Capital) com três ocorrências.

Com dois registros aparecem Viamão (Região Metropolitana), Novo Hamburgo (Vale do Sinos), Rio Grande (Litoral Sul), Parobé (Vale do Paranhana), Caxias do Sul e Nova Prata (ambas localizadas na Serra Gaúcha). Outros 34 municípios têm uma ocorrência cada:

Alecrim, Alegrete, Bagé, Barra da Guarita, Barão do Cotegipe, Cacequi, Cachoeirinha, Camaquã, Canguçu, Carlos Barbosa, Constantina, Encantado, Erechim, Esteio, Guaíba, Ijuí, Imigrante, Lajeado, Marau, Maçambará, Montenegro, Mostardas, Muitos Capões, Novo Barreiro, Pejuçara, Salto do Jacuí, Santa Clara do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, Santo Ângelo, Sarandi, São Francisco de Paula, São Gabriel e Tramandaí.

(Marcello Campos)

Sair da versão mobile