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Imprensa internacional se mobiliza para a retirada de jornalistas do Afeganistão

O documento também aponta a piora das condições de vida dos afegãos desde que o Talibã retomou o poder. (Foto: Reprodução)

Grandes organizações da imprensa internacional têm se mobilizado nos últimos dias para tentar retirar, com segurança, colaboradores locais e jornalistas estrangeiros que trabalham no Afeganistão. Com a retomada do poder pelo Talibã em 15 de agosto, ainda há muita incerteza se o grupo extremista manterá a palavra de respeitar o trabalho de jornalistas no país.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que o governo americano tem se esforçado para repatriar americanos que estejam no território afegão – inclusive jornalistas. Biden citou que o governo retirou 204 jornalistas nesta semana e que aumentou o número de pessoas que os estão ajudando a sair do país.

“Não sabemos o número exato de americanos que estão lá”, afirmou, mas disse que a prioridade é tirar todos os cidadãos dos EUA do país. Ele disse também que os EUA pretendem contribuir com a retirada de afegãos em situação vulnerável e de jornalistas que não estejam ligados a empresas internacionais.

No início da semana, os chefes de três grandes jornais dos EUA fizeram uma declaração conjunta pedindo ajuda ao presidente para proteger seus jornalistas e garantir uma volta segura para casa.

Esforços conjuntos

Executivos dos jornais americanos “The New York Times”, “The Wall Street Journal” e “The Washington Post” disseram que têm mantido contato com consulados e embaixadas de países com representações no Afeganistão para tentar ajuda na retirada de jornalistas.

Uma das maiores preocupações é garantir a segurança de colaboradores e repórteres afegãos que trabalhavam para os jornais americanos que têm encontrado dificuldade para deixar o país. Michael Slackman, editor do “Times”, afirmou que “vários planos” de transporte falharam.

“Você tem um plano durante a noite e duas horas depois, as circunstâncias em solo mudam completamente”, disse o jornalista em reportagem ao “The New York Times”. No entanto, segundo a publicação, após uma ajuda do governo do Catar – que mantém relações tanto com os EUA quanto com o Afeganistão –, o jornal conseguiu retirar de solo afegão 128 colaboradores e seus familiares.

A.G. Sulzberger, presidente e editor do “Times” agradeceu em um comunicado os esforços do governo do Catar “que foram verdadeiramente inestimáveis para levar nossos colegas afegãos e suas famílias para a segurança”. “Pedimos à comunidade internacional que continue a atuar em defesa dos bravos jornalistas afegãos que estão em risco em seu próprio país”, escreveu Sulzberger.

O “Post” informou que 13 funcionários – incluindo dois colaboradores afegãos e seus familiares – conseguiram embarcar para o Catar na última terça-feira (17). No mesmo dia, três correspondentes do “Journal” deixaram o país, mas a publicação diz que ainda tenta ajudar na retirada de uma dezena de contratados locais.

Perseguição

Nesta quinta (19), o familiar de um jornalista da Deutsche Welle foi morto por talibãs depois de uma batida em sua casa na busca pelo repórter da emissora internacional alemã e de mais três colaboradores.

A Associação Alemã de Jornalistas (DJV, da sigla em alemão) fez um apelo à comunidade internacional após o caso e pediu por ação. Segundo a DJV, familiares de jornalistas que não moram mais no país vêm sendo “sistematicamente caçados em Cabul e em outras cidades”.

“Jornalistas afegãos que vivem na Alemanha recebem apelos de suas famílias para não publicar nada que possa levar ao Talibã agir contra seus parentes”, disse em nota.

Alguns jornalistas afegãos dizem que foram espancados e tiveram a casa invadida desde que o Talibã tomou a capital Cabul. A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) fez um pedido para que o Conselho de Segurança da ONU organize uma reunião de emergência para discutir a situação de profissionais da imprensa no Afeganistão.

“Cerca de 100 meios de comunicação pararam de operar nas últimas semanas, enquanto centenas de jornalistas se esconderam ou estão tentando fugir do país”, disse a RSF em nota.

Promessa rasa

O Talibã havia dito na terça-feira (17), em sua primeira entrevista coletiva, que permitiria o trabalho da imprensa e que mulheres poderiam trabalhar, ao contrário do que ocorreu quando o grupo esteve no poder, entre 1996 e 2001. Mas apesar da tentativa inicial do Talibã de tentar passar uma imagem menos radical, militantes do grupo extremista têm intensificado a busca por pessoas casa a casa, aponta documento confidencial da Organização das Nações Unidas (ONU).

Os talibãs têm listas com nomes e os alvos são pessoas que trabalharam para forças de segurança afegãs, americanas e da Otan, além de veículos de imprensa e entidades internacionais, segundo o relatório de inteligência da ONU.

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