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Imprensa mundial mostra temor por Olimpíadas no Brasil após ataques a faca no Rio

Capital fluminense sediará os Jogos em 2016. Casos ocorreram próximo a locais de provas. (Foto: AFP)

A notícia sobre a chilena Isidora Ribas Carmona, 32 anos, que foi esfaqueada em um assalto na Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ), na manhã de sexta-feira, teve destaque nos principais meios de comunicação do Chile. E veículos de outros países também noticiaram o caso enfatizando que os ataques têm acontecido com frequência próximo a locais onde acontecerão competições dos Jogos Olímpicos de 2016, na cidade.

A família da chilena, que está no Brasil há apenas dois meses para estudar e foi atacada quando estava na Praça Paris, com sua bicicleta e seu cachorro, soube do ataque pelo noticiário. Todos ficaram muito preocupados.

Isidora passou a tarde na Delegacia Especial de Apoio ao Turista, no Leblon, também na Zona Sul, prestando depoimento e fornecendo informações para a confecção do retrato falado do homem que lhe roubou. Ele fez um corte no pescoço da chilena e levou seu tablet.

Repercussão

O site do jornal La Tercera ressaltou que o ataque se somou a uma série de episódios de agressões com facas nas proximidades de instalações onde acontecerão provas dos Jogos Olímpicos de 2016. Muitos deles aconteceram na lagoa Rodrigo de Freitas, onde haverá competições de canoagem. O periódico ilustra a reportagem com os arcos olímpicos instalados no parque de Madureira, na Zona Norte.

Também o site do noticiário T13, do Canal 13 da televisão chilena, destacou a agressão sofrida por Isidora, ilustrando a reportagem com a foto da Praça Paris. O noticiário diz ainda que “cabe destacar que nos primeiros quatro meses do ano, foram atendidas 167 vítimas de ferimentos por arma branca nos hospitais do Rio”.

A agência de notícias norte-americana Associated Press afirmou que a polícia estava reforçando o patrulhamento nas áreas de turismo e de provas das Olimpíadas “depois de uma série de ataques a faca a locais e estrangeiros”. Uma reportagem da France Presse diz que “a série de ataques a faca no Rio põe a Cidade Olímpica em xeque”. O texto ressalta a morte do cardiologista Jaime Gold, esfaqueado na terça-feira na lagoa Rodrigo de Freitas, em um assalto em que foram levadas sua bicicleta e sua carteira. Na quinta-feira, um adolescente de 16 anos suspeito de cometer o crime foi apreendido.

O periódico The Wall Street Journal também noticiou a explosão da violência a facadas no Rio de Janeiro após a morte do médico, e destacou em seu site que “a violência coincide com o recuo na antes florescente economia do Brasil, o que, segundo especialista, resultou ao mesmo tempo em cortes no orçamento da polícia e na redução de oportunidades de trabalho para jovens em situação de risco”. Ainda na manhã de sexta-feira, em entrevista à rádio CBN, Isidora disse que não desistirá de morar na capital fluminense. “Vou morar aqui mais dois anos.”

Esfaqueamentos

Com o ataque à chilena e ao médico, desde o dia 17 o Rio teve sete casos de assaltos ou tentativas seguidos de esfaqueamento. O mais recente aconteceu na manhã desse sábado, quando Alexandre Ribeiro, 23, foi esfaqueado na Zona Norte, durante um assalto. Ele foi socorrido. No final da noite de sexta-feira, um militar da Marinha levou quatro facadas no tórax em uma tentativa de assalto, também na Zona Norte. Na madrugada de sexta-feira, Rodrigo Feliciano Raimundo, 28, foi preso depois de ferir com uma facada um entregador no Centro do Rio, que o acusa de assalto. Na delegacia, a polícia constatou que ele é um dos suspeitos de matar o cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos, em 2011. Na quarta-feira, Lorena Tristão, 31, foi ferida com golpes de canivete nas pernas após assalto na Zona Sul. No dia 17, a vietnamita Tran Vu Ha, 39, foi esfaqueada no Centro da cidade – três suspeitos pelo ataque foram presos.

Projeto de lei

Após os casos de vítimas esfaqueadas na sexta-feira no Rio, a Câmara dos Deputados decidiu desengavetar um projeto de lei, apresentado há 11 anos, que criminaliza o porte de arma branca nas ruas. O líder do PMDB, Leonardo Picciani, pediu o desarquivamento da proposta, protocolada em 2004 pelo deputado Lincoln Portela (PR-MG). O texto deve receber emendas.

Em vez de três meses a um ano de detenção e multa, Picciani defende que a pena mínima seja de três anos, de modo a que o acusado de porte de facas ou qualquer objeto cortante seja mantido preso. O deputado protocolou pedido de audiência pública para discutir o projeto com autoridades de segurança, membros do Judiciário e da sociedade civil. “O objetivo é evitar que adolescentes e adultos usem facas para cometer crimes”, conta Picciani, que trabalhará junto ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a fim de obter o apoio dele para aprovar o texto. (AG)

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