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“Inferniza a vida dele e da família”: disse o general Braga Netto para atacar comandantes militares

Imagem mostra prints das mensagens trocadas em grupo de WhatsApp entre Braga Netto e integrantes da cúpula das Forças Armadas. (Foto: Reprodução)

O general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, usava até mesmo figurinhas para atacar comandantes das Forças Armadas que não aderiram aos planos golpistas. Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) nos celulares de alvos da operação dessa quinta-feira (8) mostram que ele chegou a compartilhar memes do personagem Seu Batista, da Escolinha do Professor Raimundo.

Um dos militares atacados por Braga Netto foi o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, que ocupou o cargo de comandante da Aeronáutica no governo de Jair Bolsonaro. Em 15 de dezembro do ano passado – quando o ex-mandatário já havia sido derrotado nas urnas e manifestantes golpistas estavam acampados na frente de quartéis pelo país – Braga Netto pediu ao coronel reformado do Exército, Ailton Barros, para endurecer as críticas a Baptista.

“Senta o pau no Batista Júnior (sic). Povo sofrendo, arbitrariedades sendo feita (sic) e ele fechado nas mordomias. negociando favores. Traidor da pátria. Daí para frente. Inferniza a vida dele e da família”, orientou Braga Netto.

Em seguida, pediu para elogiar o ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier Santos, que é um dos alvos de busca e apreensão da operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira com o objetivo de apurar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Garnier estava alinhado às tramas golpistas. “Elogia o Garnier e fode o BJ (Baptista Júnior)”, acrescentou Braga Netto.

Como resposta, Barros enviou uma figurinha que mostra uma mão segurando um chicote e a legenda: “Desce a chibata”. O coronel reformado do Exército também foi alvo da PF na operação desta quinta-feira.

Braga Netto então publica uma figurinha que compara Baptista Júnior a Seu Batista. De um lado, o personagem da Escolinha do Professor Raimundo com a legenda: “Cala a boca, Batista”. Do outro, a foto do ex-comandante da Aeronáutica com o texto: “Honra a farda, Baptista”.

Na sequência, envia outra montagem na qual aparece uma estrela com o rosto do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobreposta à fotografia de Baptista Júnior. “Não coloque esta ‘estrela’ na sua patente”, diz a legenda.

O ministro da Defesa do governo Bolsonaro também proferiu uma série de xingamentos e ofensas ao general Freire Gomes, então comandante do Exército. Braga Netto se referia a ele pelas iniciais FG.

“Se FG tiver (sic) fora mesmo. Será devidamente implodido e conhecerá o inferno astral”, escreveu para Barros.

Em outro trecho, Braga Netto classifica o general Freire Gomes como “cagão”, e pede para que a cabeça dele seja oferecida. Os diálogos estão na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que autorizou a operação realizada nessa quinta-feira pela PF.

Logo após desembarcar de um voo que deixou Brasília no fim da tarde dessa quinta, Braga Netto comentou o caso. “Continua uma perseguição em cima do pessoal do Bolsonaro. É tudo uma invenção, um sonho” resumiu o militar, sem se estender. As informações são do jornal O Globo.

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