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INSS e bancos estudam o uso do WhatsApp para prestar serviços aos segurados

Usuários poderão decidir se desejam baixar mídias em resolução padrão ou em HD. (Foto: Reprodução)

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) quer que os bancos criem, sem custos para o governo, um canal via WhatsApp para comunicação com os segurados sobre aprovação de benefícios e agendamento de perícia de forma mais rápida e segura. A negociação está mais avançada com o Banco do Brasil. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que a conversa ainda é preliminar. A medida é vista no Executivo como positiva não só para o governo e beneficiários do INSS como também para os bancos, que podem usar o serviço como mais uma estratégia de fidelização.

Em entrevista recente ao jornal Valor Econômico, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, disse que a ideia é utilizar artigo previsto nos contratos de folha de pagamento com os bancos que trata de comunicação com o beneficiário para solicitar a prestação desse serviço. Em abril, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, já havia manifestado que a pasta e o INSS iriam utilizar o WhatsApp para prestar serviços à população, como avisos sobre datas de perícias, andamento de pedidos e orientações.

A avaliação de Stefanutto é que é preciso atualizar e ampliar as formas de comunicação que antes era feita por carta. “Temos o contrato da folha que inclui comunicação com segurados. Queremos aproveitar expertise dos bancos para ter um serviço de WhatsApp em conjunto”, afirmou. “Não vamos obrigar os bancos a usar o WhatsApp em conjunto com a gente. Todos os bancos mostraram por meio de conversas com a Febraban e por meio de conversas bilaterais interesse, pois evita fraude.”

O desejo de Stefanutto é que o serviço comece ainda neste ano. “O BB se interessou primeiro e está com equipes técnicas validando o funcionamento. Óbvio que isso pode demorar”, disse. Ele acredita que o uso do WhatsApp poderia reduzir fraudes na concessão de crédito e ao mesmo tempo reduzir a abstenção, hoje de 25%, nas perícias médicas.

“A oferta de empréstimo está na lei, mas fico muito preocupado que comunicação nossa com segurados seja feita primeiro por estranhos, muitas vezes mal-intencionados”, disse. “Tendo WhatsApp, posso avisar que você tem perícia e perguntar se quer reagendar. Temos abstenção de quase 25%. As pessoas marcam e esquecem”, explicou ainda.

Antes do primeiro leilão de folha de pagamento do INSS, em 2009, o governo desembolsava em torno de R$ 250 milhões para os bancos fazerem o pagamento. Hoje o INSS recebe cerca de R$ 6 bilhões dos bancos.

O uso do WhatsApp entraria no âmbito desses contratos. “Não implicaria custo adicional, sem ter contrapartida financeira e sem necessidade de mudar o contrato”, explicou Stefanutto. Na semana passada, Lupi disse que pretende rever os valores dos contratos. “Achamos que eles são pequenos na comparação com várias folhas do país todo, várias folhas estaduais há uma cobrança pela folha e outra dos consignados.”

O BB confirmou que iniciou as tratativas com o INSS para viabilizar a solução. “Pelo fluxo proposto, quando um benefício for concedido/aprovado, o INSS enviará dados de telefone (WhatsApp) do beneficiário ao banco, que providenciará o comunicado pelo aplicativo de mensagens informando sobre a concessão do benefício. Previamente o beneficiário deverá autorizar o compartilhamento dessa informação, no momento da solicitação do benefício”, explicou a assessoria de imprensa do banco.

Segundo a instituição financeira, a comunicação será de caráter informativo, sem a necessidade de resposta ou qualquer informação por parte do beneficiário. Atualmente, o banco responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões acessa somente a informação da concessão a partir do primeiro pagamento, porém, sem compartilhamento do número de telefone do segurado.

A Febraban informou que, dentro do processo de parceria com o INSS, a conversa ocorrida ainda foi “muito preliminar”. “A Febraban aguarda novas definições por parte do INSS para então aprofundar a discussão sobre o tema”, afirmou a entidade por intermédio de sua assessoria de imprensa. As informações são do jornal Valor Econômico.

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