O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, negou que tenha se reunido com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e disse achar que algo “cheirava mal” no contratos consignados celebrados pelo banco. Ele depôs nessa quinta-feira (5) na CPMI do INSS.
“Já para avisar, o Vorcaro nunca foi ao INSS, porque eu sei que essa pergunta vão fazer. Eu nunca fiz uma reunião com o Vorcaro”, afirmou. Waller Júnior citou duas reuniões do INSS com dirigentes e advogados do Banco Master nos dias 31 de outubro e 10 de novembro do ano passado.
“Eles participam de uma reunião, tentando fazer um termo de compromisso para sanar as irregularidades”, prosseguiu. “Na reunião, a gente pediu para ver o contrato, porque achava que algo estava cheirando mal, algo estava ruim. E, quando mostrou esses contratos, não tinha os elementos mínimos para a gente fazer o controle: não tinha o valor emprestado, taxa de juro, custo efetivo. E pior: a assinatura, que era uma assinatura eletrônica do nosso segurado, não era acompanhada com QR Code, com aquilo com que você consegue certificar que a assinatura era daquela pessoa. E a gente saiu da reunião falando: ‘não tem como assinar o termo de compromisso’.”
Waller afirmou que a autarquia foi a primeira instituição a tomar medidas contra o Banco Master. Questionado pelo relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL), se o INSS demorou a tomar medidas quanto aos empréstimos consignados descontados pelo banco Master, o presidente do INSS afirmou que a autarquia foi a primeira instituição a tomar uma medida contra o banco antes mesmo de ser avisado sobre qualquer situação.
“O INSS tinha um acordo vigente desde 2020. Esse acordo findou em agosto. Em setembro interrompemos o acordo de cooperação. Em outubro não assinamos o termo de compromisso, notificando a instituição. Ou seja, o INSS, antes de ser avisado sobre qualquer situação do Master, foi o primeiro a ligar o alerta”, afirmou Waller.
Também no depoimento, o presidente do INSS citou que a cooperação técnica não foi renovada em razão da quantidade de reclamação dos segurados. “E a gente verificou que tinha algo errado com o Master. A gente entendeu que não tem como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação”, disse.
Gilberto Waller afirmou que o número de reclamações recebidas de aposentados indicou que “algo estava errado” e “cheirando mal” em relação à atuação do Banco Master na concessão de empréstimos consignados.
O Banco Master é alvo de investigação da PF (Polícia Federal) por suposta fraude bilionária. Diante de indícios de atuação irregular, o Banco Central decretou a liquidação do Master em novembro do ano passado.
Processo administrativo do INSS de novembro de 2025, que analisou a regularidade do acordo de cooperação técnica (ACT) com o Master, mostra que o banco deixou de apresentar mais de 250 mil documentos que comprovassem contratos firmados de crédito consignado.
Dados obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que o Master tinha apenas um consignado com beneficiários do INSS até novembro de 2022. O ACT foi firmado em 2020.
“A nossa preocupação com aposentado e pensionista, por determinação do presidente da República, foi: ‘passe o pente-fino’. E a gente verificou que tinha algo errado com o Master. A gente entendeu que não tem como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação”, afirmou Waller Júnior à CPI.
