A instalação definitiva de bombas flutuantes de alta capacidade marca a conclusão da obra de proteção contra cheias dos pôlderes 7 e 8, entre os bairros Anchieta e Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre. O trabalho, coordenado pelo Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos), termina nos próximos dias.
Tubulações de grande porte, de Pead (polietileno de alta densidade), vão ligar o bombeamento, posicionado na parte protegida do pôlder, ao rio Gravataí. Assim, se o pôlder for fechado, a água da chuva poderá ser bombeada para o rio.
“Com as bombas flutuantes instaladas de forma definitiva, o sistema dos pôlderes 7 e 8 passa a ter toda a estrutura necessária em caso de cheia: as comportas impedem a entrada da água do rio, e as bombas retiram a água da chuva acumulada na área protegida. É mais uma ação do Dmae para reforçar a proteção da Zona Norte”, afirma o diretor de Proteção Contra Cheias e Drenagem Urbana do Dmae, Alex Zanoteli.
Investimento
A obra de proteção dos pôlderes 7 e 8 custou R$ 66 milhões, valor que inclui os serviços de engenharia e a compra de equipamentos como eletrocentros e geradores. Um estudo feito pelo Dmae com consultores especializados mostrou que a intervenção não traz impacto negativo relevante para os municípios vizinhos a Porto Alegre.
O corpo técnico do Departamento trabalha na conclusão do anteprojeto da obra definitiva de proteção contra cheias na região, orçada em R$ 300 milhões. A intervenção foi autorizada pelo governo federal em 11 de setembro e prevê, entre outras obras, a construção de duas novas Ebaps (Estações de Bombeamento de Águas Pluviais).
Usina do Gasômetro
O prédio da Usina do Gasômetro, um dos cartões-postais de Porto Alegre, também passou por obras de proteção contra cheias. As antigas câmaras de resfriamento, que ligavam a estrutura histórica diretamente ao Guaíba, foram permanentemente fechadas com concreto.
A Usina recebeu, ainda, comportas metálicas herméticas para impedir que, em caso de cheia, o Guaíba entre na cidade pelas portas e janelas. Ao todo, 46 barreiras de proteção móveis foram instaladas, com investimento de R$ 690 mil. A Usina do Gasômetro integra o sistema de proteção contra cheias, ligando o Muro da Mauá ao trecho 1 da Orla do Guaíba.
Dupla alimentação de energia
Permanece em andamento a implantação de dupla alimentação de energia elétrica em 37 estações do Dmae – incluindo 22 casas de bombas de drenagem urbana. A obra, executada pela CEEE Equatorial, tem investimento de R$ 18 milhões e será concluída até novembro.
Casas de bombas – Estão em andamento as obras de resiliência climática nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais 1, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. Em todas as unidades, parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente.
Diques
Equipes da prefeitura, lideradas pela Smoi, atuam na demolição das residências desocupadas no dique do Arroio Areia. As famílias que residiam na chamada Vila Dique foram acolhidas por meio dos programas Compra Assistida e Estadia Solidária.
Já no dique do Sarandi, o Departamento Municipal de Habitação segue atuando no acolhimento das famílias que residem na área do trecho 3. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, com dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.
Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique localizado junto à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, que passou por obras entre julho de 2024 e janeiro de 2025. O Muro da Mauá, no Centro Histórico, também recebeu intervenções, com revisão estrutural e correção das patologias identificadas.
Ebabs Moinhos de Vento e Menino Deus
As obras de proteção nas Estações de Bombeamento de Água Bruta Moinhos de Vento e Menino Deus foram concluídas. Nas duas estruturas, as intervenções incluíram a construção de câmaras de descarga junto aos poços de visita, solução que impede a entrada da água das cheias pelas estruturas de acesso às tubulações.
Condutos forçados
Também estão finalizadas as obras de proteção contra cheias nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia. Novas tampas herméticas, projetadas para suportar a pressão exercida pela água em eventuais elevações do nível do Guaíba e do rio Jacuí, foram instaladas junto às tubulações.
Malha ferroviária
Outra iniciativa concluída é a proteção da cidade junto à malha ferroviária, no bairro Humaitá. A obra eliminou um ponto de vulnerabilidade existente no sistema desde a implantação da ferrovia, quando a cota de proteção foi reduzida. Os trabalhos ocorreram em área concedida pela União à empresa Rumo Logística.
Comportas
A modernização das comportas do sistema de proteção contra cheias está concluída. Das 14 passagens existentes no sistema até a cheia histórica de 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14. Já as comportas 11 e 12 foram integralmente substituídas por novas estruturas móveis, enquanto as comportas 1, 2, 4 e 6 passaram por um processo completo de recondicionamento.
