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Instituição Fiscal Independente vê economia brasileira aquecida

IFI considera que hiato do produto foi de 0,9% no primeiro trimestre e está positivo desde 2024. (Foto: Reprodução/GAI)

A economia brasileira chegou a 2026 ainda operando acima de seu potencial, com o hiato do produto em 0,9% no primeiro trimestre, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI). O indicador permanece positivo desde 2024, mostrando que a atividade segue aquecida, apesar da desaceleração observada no período recente. A nota técnica é assinada pelos analistas Rafael Curi, Rafael Bacciotti e Tallita Andrade.

O hiato do produto ajuda a medir o grau de aquecimento da economia. Quando está positivo, significa que o Produto Interno Bruto (PIB) efetivo está acima do potencial, ou seja, a atividade opera acima de sua tendência e está sujeita a pressões inflacionárias. Se houver uma desaceleração forte o suficiente para o PIB crescer menos do que seu potencial, o hiato tende a diminuir.

Além disso, por indicar em que ponto do ciclo a economia se encontra, o hiato contribui para a avaliação da postura fiscal, do resultado estrutural das contas públicas e para o monitoramento das regras fiscais.

Pelos cálculos da IFI, o hiato passou de 0,1% no primeiro trimestre de 2024 para 0,9% no segundo, 1,2% no terceiro e 0,9% no quarto. Em 2025, chegou a 1,3% no primeiro trimestre, recuou para 1,1% no segundo e para 0,6% no terceiro e no quarto, antes de voltar a 0,9% no primeiro trimestre deste ano.

O crescimento do PIB potencial, por sua vez, recuperou-se gradualmente após a pandemia e chegou a cerca de 2,3% em 2025, ainda abaixo do ritmo observado no auge dos anos 2000. A IFI aponta que a desaceleração do PIB efetivo, combinada à recuperação gradual do crescimento potencial, sugere uma aproximação entre as duas trajetórias.

O trabalho da IFI traz duas contribuições para o cálculo do hiato. A primeira é a incorporação de uma nova metodologia, chamada Função de Produção Expandida, que acrescenta área colhida e consumo de energia elétrica aos fatores tradicionalmente considerados, capital físico e trabalho. A segunda é a sistematização da forma como a IFI combina diferentes metodologias para chegar à sua medida central.

Na função de produção tradicional, o trabalho tinha peso de 40%, е о capital, de 60%. Na versão expandida, esses pesos passam para 43,87% e 33,76%, respectivamente, enquanto terras agricultáveis e energia passam a responder por 12,98% e 9,40%.

“No caso brasileiro, a inclusão de dimensões como área colhida e consumo de energia elétrica pode aprimorar a leitura da capacidade produtiva, dada a relevância da agropecuária, do uso do solo e da energia para a atividade econômica”, afirma Curi.

Nesse exercício específico, o PIB potencial passou de uma média de crescimento de 2,2% ao ano entre 2001 e 2025 para 2% entre 2006 e 2025, 1,4% entre 2011 e 2025 e 1% entre 2016 e 2025. No período mais recente, de 2021 a 2025, houve recuperação para 1,9% ao ano, puxada sobretudo pelo estoque de trabalho. Segundo a IFI, o resultado sugere que a melhora recente decorreu mais da recomposição dos fatores produtivos do que de uma aceleração robusta da produtividade.

A segunda contribuição da nota trata da forma como a IFI constrói sua medida central do hiato. Como o PIB potencial não é diretamente observável, diferentes métodos podem produzir resultados distintos. A instituição reúne estimativas obtidas por diferentes metodologias e utiliza a mediana dos resultados como referência.

“A combinação de métodos e o uso de intervalos de plausibilidade contribuem para uma leitura mais robusta, transparente e prudente da posição cíclica da economia brasileira”, afirma Curi. É dessa combinação de diferentes metodologias que resulta o hiato de 0,9% no primeiro trimestre de 2026. A Função de Produção Expandida passa a integrar esse conjunto, sem substituir as demais abordagens. (Com informações do Valor Econômico)

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