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Instituto-Geral de Perícias do RS ultrapassa 500 ligações confirmadas de armas de fogo no Sistema Nacional de Análise Balística

Ciência auxilia peritos na comparação de vestígios deixados pelo tiro ao armamento usado em crimes. (Foto: Sofia Villela/Ascom IGP)

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul já confirmou mais de 500 ligações entre vestígios balísticos de diferentes crimes por meio do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). O resultado é da Divisão de Balística Forense, responsável por analisar projéteis e estojos de munição para identificar se foram disparados pela mesma arma, mesmo quando as ocorrências aconteceram em cidades ou estados diferentes.

A identificação é possível porque cada arma de fogo deixa marcas características nos projéteis e nos estojos durante o disparo. Embora sejam fabricadas em larga escala, as armas apresentam diferenças que permitem aos peritos comparar os vestígios recolhidos em cenas de crime e relacioná-los ao armamento utilizado.

No Sinab, a ligação confirmada, também chamada de hit, ocorre quando a análise pericial e a validação técnica demonstram que vestígios de ocorrências distintas foram produzidos pela mesma arma. A descoberta pode ajudar a esclarecer crimes que, inicialmente, pareciam não ter relação entre si.

Em investigações sem suspeitos identificados, por exemplo, a correspondência pode indicar que uma mesma arma foi usada em diferentes delitos, oferecendo novas pistas para a apuração. Também permite relacionar uma arma apreendida a crimes anteriores, ampliando as informações disponíveis para os investigadores.

Crescimento das análises

O IGP começou a utilizar o sistema em julho de 2022. Desde então, o número de ligações confirmadas aumentou a cada ano: foram quatro em 2022, 52 em 2023, 93 em 2024 e 159 em 2025. Em janeiro de 2026, o total acumulado era de 308 ligações, relacionadas a 235 armas associadas a crimes. Em pouco mais de nove meses, foram confirmadas quase 200 novas conexões, até que o instituto ultrapassasse a marca de 500.

Para o chefe da Divisão de Balística Forense, o perito Jonathan Tobias Ramos, o resultado depende não apenas dos recursos tecnológicos, mas também da experiência dos profissionais envolvidos.

“Alcançar essa marca exige mais do que recursos tecnológicos”, afirmou. Segundo ele, o trabalho envolve conhecimento técnico, experiência na análise microscópica dos vestígios e rigor na avaliação das correspondências apontadas pelo sistema. Os materiais passam por exames cuidadosos, e os resultados precisam ser validados pelos peritos antes de serem considerados evidências úteis às investigações.

“Cada correspondência confirmada pode representar uma nova conexão entre fatos investigados”, destacou Ramos.

Destaque nacional

O desempenho também aparece nos indicadores gerais do Sinab. O IGP gaúcho ocupa a primeira posição no país em dois dos três critérios avaliados: número de inserções e de correlações balísticas.

Desde janeiro de 2022, o instituto contabiliza mais de 17,1 mil inserções e 35,6 mil correlações visualizadas. Em 30 de junho de 2025, eram 11.361 inserções e 20.501 correlações. Na comparação entre os dois períodos, o número de inserções cresceu cerca de 51%, enquanto o de correlações aumentou aproximadamente 74%.

Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o Sinab reúne informações balísticas de diferentes estados brasileiros. Projéteis e estojos recolhidos em locais de crime ou provenientes de armas apreendidas são cadastrados no sistema e comparados com registros já existentes. Dessa forma, os peritos podem identificar vínculos entre ocorrências, contribuindo para esclarecer crimes, reconhecer padrões de atuação criminosa e rastrear a circulação de armas entre estados.

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