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Integrantes da força tarefa da Lava-Jato em Curitiba fizeram chegar à procuradora-geral da República um pedido de ajuda

Ministros de tribunais superiores avaliam que Deltan está mais suscetível a punições no colegiado. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Um pedido de ajuda, por meio de integrantes da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, chegou à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Depois da revelação da publicação e do The Intercept de que o coordenador da operação no Paraná, Deltan Dallagnol, incentivou um cerco ao presidente do Supremo, Dias Toffoli, aliados do procurador pediram que Dodge intermediasse conversas com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo relatos, ela foi evasiva. Respondeu que não parecia necessário.

Ministros do STF reconhecem que Dodge vive situação delicada, entre o apoio à sua categoria e o risco de atrair para a PGR a fúria que tomou um grupo do tribunal desde que as mensagens de Dallagnol, outros procuradores e o ministro Sérgio Moro (Justiça) começaram a vazar.

A expectativa é a de que ela não aja de ofício contra Dallagnol e de que também vote contra investigação e punição a ele no Conselho Nacional do Ministério Público –mas ciente de que deve ser voto vencido.

A procuradora-geral começou a reunir argumentos para manifestação contra trecho da decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou o afastamento de auditores da Receita e suspendeu processos de investigação no órgão sobre 133 contribuintes. Ela deve recorrer nestes pontos.

Ministros do STF conversaram muito sobre as mensagens que mostram a ação de Dallagnol nos assuntos que dizem respeito a Toffoli. Um deles se disse impressionado com a falta de liturgia com que o endereço do hoje presidente do Supremo foi repassado a investigadores da primeira instância pelo gabinete de Rodrigo Janot.

Um subprocurador-geral com décadas de atuação no Ministério Público Federal tem dito que, “em todas as vezes que viu a magistratura entrar em choque com a Procuradoria, foi o segundo grupo quem saiu chamuscado”.

Há uma preocupação entre partidários de Sérgio Moro com o agravamento da situação política de Dallagnol. O que bate em um bate no outro, avaliam esses apoiadores. Se a ideia de que o procurador atravessou o rubicão se fixar na maioria do Supremo, isso restringirá ainda mais o acesso que o ministro da Justiça tem à corte.

Reação do STF

Não foram poucos nem discretos os sinais enviados pelo STF, na quinta-FEIRA (1º), indicando que a crise aberta pelo vazamento de mensagens da Lava-Jato subiu de patamar. O impacto dos reveses impostos pela corte à Receita e aos que pretendiam restringir as apurações do hackeamento à Justiça Federal foi sentido de imediato. A resposta do Supremo desagregou o apoio a Deltan Dallagnol na PGR, e, no Judiciário, aos métodos da operação. O clima para os procuradores nunca foi tão pesado.

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