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Interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Novidade?

Os Estados Unidos visam manter seus interesses comerciais, estratégicos e militares. (Foto: Terdag Media)

As notícias e teorias sobre a interferência estadunidense nas eleições do Brasil vêm desde o início da década de 1960, antes do golpe militar de direita, mesmo porque havia o plano de golpe de esquerda, confirmado por vários militantes que sempre afirmaram que o objetivo da resistência não era preservar a democracia, e sim implantar o regime comunista no Brasil. Seria pueril pensar que a maior potência econômica e bélica do mundo assistiria de braços cruzados à movimentação política e ideológica da segunda maior economia das Américas, com posicionamento geopolítico importantíssimo e aliada de longa data.

O caso mais recente, com a remessa de uma carta assinada por 12 congressistas democratas ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo esclarecimentos sobre possível interferência nas eleições que acontecem neste mês no Brasil, apesar de ter cheiro de novo, tem o mofo predominando no ambiente.

Se sairmos do campo das especulações, o único caso documentado ocorreu em 1962, quando a CIA (Agência de Inteligência dos Estados Unidos), por meio da Embaixada americana, financiou candidatos da oposição ao então presidente João Goulart. Há documentos que comprovam o envolvimento.

No que diz respeito ao golpe militar de 1964, ocorreu o favorecimento logístico e inegável dos Estados Unidos para a concretização do golpe, muito em função da ameaça comunista que tomava conta dos movimentos, agravada pela então recente tomada do poder por Fidel Castro em Cuba, com apoio soviético.

Quando o presidente Lula assumiu o poder, em 2003, e com o avanço da esquerda em quase toda a América Central e do Sul, os Estados Unidos acompanharam de perto a situação desses regimes, principalmente os de ditadores ligados ao narcotráfico.

O interesse não era e não é apenas o combate às drogas e ao terrorismo e a preservação da democracia. Os Estados Unidos visam também manter seus interesses comerciais, estratégicos e militares, independentemente de o partido político do presidente norte-americano ser mais de direita ou de esquerda. Democratas e republicanos agem da mesma forma e, quem não está no poder, critica o outro pelos mesmos procedimentos. Muda apenas o lado do balcão.

Nas eleições brasileiras de 2022, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, do Partido Democrata, foi apontado por Donald Trump e Jair Bolsonaro como responsável por interferir a favor do candidato Lula e da esquerda. Tal interferência teria ocorrido por meio da agência federal USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), que foi a maior do mundo em termos financeiros.

O repasse dessa agência para entidades não governamentais do Brasil teria sido o caminho utilizado para o dinheiro chegar e patrocinar as campanhas de Lula e do PT (Partido dos Trabalhadores). Apesar de as oposições terem provocado questionamentos na época, todos silenciaram.

Essa agência foi um dos principais alvos de Donald Trump logo que assumiu o poder, em 2025, não só pelo possível envolvimento com a esquerda, mas também por favorecer atividades em outros países contrárias aos interesses dos Estados Unidos. Há até alegações de dinheiro enviado a grupos terroristas por meio de entidades intermediárias.

Agora, as posições se inverteram. A esquerda, que atualmente governa o Brasil, alega que a direita dos Estados Unidos, que está no poder, personificada em Marco Rubio e Donald Trump, tenta facilitar a vida de Flávio Bolsonaro com a imposição de tarifas, o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos e discursos de apoio à direita de todos os países.

* Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi presidente da TV Record e superintendente da Rede TV, atualmente atua como correspondente internacional, vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e Rede Pampa nos Estados Unidos.

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