Apontado como intermediário do presidente Michel Temer para assuntos do grupo J&F com o governo, o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) ofereceu ao dono da empresa, Joesley Batista, indicação de nomeações para o Banco Central, a Receita, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) , a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a PFN (Procuradoria da Fazenda Nacional).
A informação é do jornal O Globo e faria parte da delação de Joesley e de seu irmão, Wesley Batista, para a Procuradoria-Geral da República na Lava-Jato. A delação foi homologada na manhã desta quinta-feira (18) pelo ministro relator da operação no STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.
Joesley entregou para os procuradores a gravação de uma conversa com Rodrigo no dia 13 de março deste ano. Aos 10 minutos de conversa, Joesley diz ao deputado que, para destravar negócios do grupo J&F, precisaria que pessoas que pudessem lhe ajudar ocupassem “posições-chaves” em órgãos como o Cade, a CVM, a Receita Federal, o Banco Central e a PFN.
Rocha Loures, então, oferece a Joesley a possibilidade de levar algum nome indicado por ele para o conhecimento de Temer. Também faz uma série de telefonemas na frente do empresário para pessoas desses órgãos. Joesley, então, muda de assunto, segundo o jornal.
Em nota divulgada na quarta (17), após O Globo dar informações da delação da JBS, a assessoria de Rocha Loures afirmou que o deputado estava em Nova York e que, deveria voltar ao Brasil nesta quinta. “Em seu retorno, o deputado deverá se inteirar e esclarecer os fatos divulgados”, diz o texto.
Segundo as informações de O Globo, foi o próprio Temer que indicou Rocha Loures como intermediário para os assuntos do grupo J&F .
Em uma conversa gravada em 7 de março, no Palácio do Jaburu, Joesley pediu a ajuda de Temer para resolver uma pendência da J&F no governo, ao que o presidente teria respondido: “Fale com o Rodrigo”. Joesley então pergunta: “Posso falar tudo com ele?”. Ao que Temer teria respondido: “Tudo”.
