Terça-feira, 07 de Abril de 2020

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Brasil Investigação aponta propina de até R$ 5,5 mi ao senador Bezerra Coelho e a filho

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, é acusado de receber R$ 5,5 milhões em propina desviada de obras públicas. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Principal articulador do presidente Jair Bolsonaro no Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) deixou seu cargo de líder do governo à disposição depois que foi alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (19).

O líder do governo no Senado e seu filho, o deputado Fernando Bezerra Filho (DEM-PE), teriam recebido, ao todo, R$ 5,538 milhões em vantagens indevidas repassadas por quatro empreiteiras. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou buscas e apreensões nos gabinetes de ambos. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, negou o sequestro e indisponibilidade de bens no valor total dos supostos repasses, por considerar as medidas “apressadas neste estágio da investigação”. A medida havia sido pedida pela PF.

Bezerra ainda disse que conversou sobre o tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. “Tomei a iniciativa de colocar à disposição o cargo de líder do governo para que o governo possa, ao longo dos próximos dias, fazer uma avaliação se não seria o momento de proceder uma nova escolha ou não”, afirmou. A decisão de Barroso que autorizou as buscas foi tomada em um inquérito aberto em consequência da Operação Turbulência, que apurou o acidente aéreo que resultou na morte de Eduardo Campos, então candidato do PSB à Presidência, em 2014.

Em delação premiada, o empresário João Carlos Lyra e os operadores financeiros Eduardo Freire Bezerra Leite e Arthur Roberto Lapa Rosal relataram ter participado do repasse sistemático aos parlamentares de recursos das empreiteiras OAS S.A, Barbosa Mello S.A, S.A Paulista e Constremac Construções S.A. Os repasses teriam sido pedidos e realizados entre 2012 e 2014, período em que Bezerra chegou a ocupar o cargo de ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff. O dinheiro era escondido por meio do uso de laranjas, notas frias e empresas de fachada, por exemplo. Além do enriquecimento ilícito, os valores seriam para o pagamento de despesas de campanha, segundo as investigações.

Defesa

O advogado Arthur Callegari, que representa o senador Fernando Bezerra, falou que medidas de busca e apreensão contra o senador e seu filho tiveram parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR), que as considerou desnecessárias. “Causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”, justificou Callegari.

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