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Investigado pelo Supremo, Bolsonaro afirma que não pode “aceitar passivamente” prisões do Roberto Jefferson e Daniel Silveira

O presidente destacou que a Petrobras reduziu pela terceira vez, nas últimas semanas, o preço do combustível. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta segunda-feira (23) as prisões do ex-deputado Roberto Jefferson e do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), ambas determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e afirmou que não se pode “aceitar passivamente isso”.

Sem citar nomes, Bolsonaro referiu-se aos casos de Jefferson, Silveira e do blogueiro Oswaldo Eustáquio, também detido por ordem de Moraes, ao criticar decisões que colocariam em risco a liberdade de expressão.

“Foi preso há pouco tempo um deputado federal e continua preso até hoje, em prisão domiciliar. A mesma coisa um jornalista, ele é jornalista, é blogueiro, também continua em prisão domiciliar até hoje. Temos agora um presidente de partido. A gente não pode aceitar passivamente isso, dizendo: ‘ah, não é comigo’. Vai bater na tua porta”, afirmou Bolsonaro, em entrevista à Rádio Regional FM 91, de Registro (SP).

Daniel Silveira foi preso em fevereiro, após publicar vídeo com ataques e ofensas a membros do STF, e está em prisão domiciliar. Roberto Jefferson, que é presidente nacional do PTB, foi preso há duas semanas, pela suspeita de participação em uma organização criminosa digital montada para ataques à democracia. Jefferson foi delator do esquema do mensalão do governo Lula.

Já o blogueiro Oswaldo Eustáquio foi detido em duas oportunidades no ano passado, no âmbito de inquérito que investigava atos antidemocráticos. Entretanto, ao contrário do que disse Bolsonaro, Eustáquio não está mais em prisão domiciliar.

Constituição

Bolsonaro voltou a negar nesta segunda qualquer tipo de tentativa de ruptura institucional. Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que conspira apenas pelo cumprimento da Constituição.

Na última sexta-feira (20), o presidente protocolou no Senado um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Bolsonaro prometeu também protocolar outro pedido nas próximas semanas, dessa vez contra Luis Roberto Barroso.

“Estou conspirando sim e muito para que todos cumpram a nossa Constituição. Essa é a minha conspiração: cumpram a Constituição”, afirmou o presidente aos apoiadores.

Nas últimas semanas, a relação entre os poderes voltou a piorar em razão dos ataques do presidente Jair Bolsonaro contra ministros do Supremo. A relação conflituosa vem desde a polêmica sobre a adoção ou não do voto impresso, derrotada na Câmara dos Deputados, e continuou após a deflagração de operações da Polícia Federal contra o cantor Sérgio Reis, aliado do presidente Jair Bolsonaro, e o ex-deputado federal Roberto Jefferson, condenado no escândalo do Mensalão e também aliado de Bolsonaro.

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